WhatsApp Image 2026-11-05 at 15.23.29

Foto/Divulgação: Seeduc

Em dois anos, os estudantes coletaram cerca de 100 litros de óleo de cozinha usado que viraram sabão artesanal e deixaram de ser despejados na Baía de Guanabara

Estudantes do Ciep 326 Professor César Pernetta, no Parque União, no Complexo da Maré, conquistaram o Destaque Regional na 13ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com um projeto que transforma óleo de cozinha usado em sabão artesanal e estimula a conscientização ambiental na comunidade. Intitulado ‘Do Descarte à Transformação: óleo residual, sabão artesanal e Educação Científica na Comunidade da Maré’, o trabalho foi selecionado na categoria Projeto de Ciências – Ensino Médio e avançou para a etapa nacional da competição, marcada para 30 de novembro.

Para a diretora da unidade escolar, Izabel Sabbatino, a premiação reconhece o trabalho de pesquisa e a dedicação dos estudantes e da professora Priscilla Pereira, criadora e coordenadora do projeto desde 2024.

– Foi maravilhoso quando recebemos a notícia. Diante das limitações e adversidades, por estarmos na Maré, a iniciativa foi muito além do que imaginávamos. Ficamos muito orgulhosos e satisfeitos com a premiação regional. Isso acendeu uma chama de confiança enorme na próxima fase da olimpíada – disse a gestora.

O projeto nasceu de uma questão presente no cotidiano da comunidade: o descarte inadequado do óleo de cozinha. A partir desse problema, os estudantes passaram a mobilizar familiares e moradores para a coleta do resíduo, transformando-o em oportunidade de aprendizagem, pesquisa e conscientização ambiental.

A iniciativa alia educação científica, sustentabilidade e participação comunitária. Depois de aprenderem sobre os impactos do descarte incorreto do óleo no meio ambiente e na rede de esgoto, os alunos coletam o resíduo em garrafas PET e levam o material para as atividades realizadas no laboratório da escola, onde produzem o sabão artesanal.

– Foi um desafio muito grande devido ao contexto da Maré, com problemas de saneamento básico. Mas, apesar das circunstâncias, houve uma aceitação muito grande – destacou a diretora, ressaltando o papel fundamental dos estudantes, que assumiram o protagonismo da iniciativa.

Nas oficinas práticas, os alunos aprendem conceitos de Química, entre eles a reação de saponificação, e acompanham o processo de transformação do óleo residual em sabão. A experiência aproxima o conteúdo trabalhado em sala de aula de uma situação concreta vivenciada pelos próprios estudantes e moradores da região.

O projeto também ultrapassa os muros da escola. Por meio de gincanas, oficinas e ações de sensibilização, os estudantes compartilham o conhecimento com responsáveis e moradores da comunidade, ampliando a mobilização em torno do descarte correto e do reaproveitamento de resíduos. O sabão produzido é destinado ao uso das famílias participantes e à limpeza da própria escola.

Para Izabel, a iniciativa demonstra como a educação científica pode partir de situações vivenciadas pelos próprios estudantes e contribuir para transformações na comunidade.

– O desafio agora é incentivar os novos alunos para dar continuidade ao projeto, que é realizado no contraturno. E trazê-los para este horário é difícil diante da nossa realidade, porque muitos ajudam na renda familiar – contou a diretora, que está à frente da unidade desde 2023.

O Ciep 326 funciona em três turnos e atende cerca de 1.100 estudantes. Parte do óleo coletado também é destinada a instituições. No fim de 2025, a professora Priscilla ajudou os alunos a criarem uma miniempresa para a produção e venda do sabão à comunidade. O valor arrecadado foi utilizado em uma festa de confraternização.

Ao longo de dois anos, os estudantes coletaram cerca de 100 litros de óleo de cozinha usado com famílias, comércios e espaços da comunidade. Depois de filtrado e tratado, aproximadamente 93 litros foram reaproveitados e deixaram de ir para o esgoto e para a Baía de Guanabara. Este óleo virou 500 barras de sabão de 180 g, somando cerca de 90 quilos. Além disso, foram produzidas 140 barras de sabonetes artesanais com cinco extratos e cinco essências desenvolvidos pelos próprios alunos.

Seleção de 42 trabalhos

Cerca de 1,5 mil projetos foram inscritos na 13ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma). Ao todo, participaram da iniciativa nove mil estudantes e três mil professores de escolas públicas e privadas de todo o país.

Nesta edição, 42 projetos foram selecionados como Destaques Regionais, nas categorias Produção Audiovisual, Produção de Texto e Projeto de Ciências, nas modalidades Ensino Fundamental e Ensino Médio. Os trabalhos seguem agora para a etapa final da competição.

Uma comissão de avaliadores escolherá os vencedores, que receberão o título de Destaque Nacional. A cerimônia de premiação será realizada em 30 de novembro, no Campus Manguinhos da Fiocruz, na Zona Norte do Rio.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *