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Atualmente, quase 11 milhões de brasileiros são considerados jogadores de risco
Um problema cada vez comum na realidade dos brasileiros. A ludopatia, que é o vício em jogos e apostas, afeta cada vez mais famílias e tem uma certa facilidade em encontrar apostadores: segundo a relação das empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda, hoje no Brasil existem 85 companhias e 187 sites que atuam com apostas esportivas e cassinos online.
De acordo com o Levantamento Nacional sobre Álcool e Drogas (Lenad), publicado em 2025 pela Unifesp, 10,9 milhões de brasileiros acima de 14 anos podem ser considerados jogadores de risco. São aqueles que realizam apostas e acabam criando problemas profissionais, pessoais e financeiros por meio do jogo. O estudo mostra ainda que, de cada oito jogadores de risco, um apresenta características do transtorno do jogo, doença que causa um desejo desenfreado que não termina após o prejuízo.
Mais do que os efeitos econômicos, de ganhos e prejuízos, o jogo causa efeitos na mente e uma necessidade, por vezes, de insistir em apostas com a esperança de que “a próxima rodada” será melhor. Atualmente, o Governo Federal possui uma ferramenta de Autoexclusão, que permite que o usuário de casas de apostas tenha o seu acesso bloqueado a todos os sites autorizados pelo Ministério da Fazenda.
Nívea Schweiger, psiquiatra e professora de pós-graduação da Afya Educação Médica Curitiba, explica quais elementos podem tornar as apostas em um vício, que precisa de tratamento.
O que exatamente torna uma aposta tão prazerosa, mesmo com os seus riscos?
“A incerteza sobre ganhar ou perder é um mecanismo poderoso para fazer a pessoa se viciar na aposta, em especial com as bets, em que rapidamente a pessoa pode ganhar e perder de forma instantânea e imprevisível. A sensação de prazer no cérebro fica maior quando a pessoa ganha algo, mesmo que, no saldo final, seja muito menos do que perdeu. Isso faz com que o comportamento de continuar apostando seja reforçado”.
Por que, mesmo com perdas de dinheiro, a pessoa insiste em jogar?
“Para buscar essa sensação de prazer, de recompensa, que ocorre no cérebro quando ela de repente ganha. Nós temos então questões neuropsiquiátricas envolvidas – com mudança da química cerebral por exemplo. Além disso, nós como seres humanos, buscamos nos sentir bem, ninguém equilibrado busca se sentir mal. Tanto comportamentos como jogos, sexo, drogas, álcool, entregam, pelo menos no começo, a sensação de felicidade e bem-estar. O problema é que essas sensações são passageiras, e não resolvem a necessidade original do ser humano. A pessoa fica buscando a felicidade em coisas que não podem entregar isso. Importante lembrar que pessoas que tem algum outro transtorno mental podem ter ainda mais problemas com dependência em apostas”.
Seja em jogos, álcool, cigarro ou qualquer outro produto, o que caracteriza um vício?
“A dependência de algo vai se manifestar com problemas decorrentes daquele comportamento, por exemplo. Comportamentos com risco de vida, prejuízos financeiros, escolares, no trabalho, problemas de relacionamento; sintomas de tolerância, que é quando se precisa de mais daquele comportamento/substância para ter o mesmo prazer inicial e sintomas de abstinência, que é um sofrimento intenso mental e/ou físico quando não consegue ter o comportamento ou substância da qual se é dependente”.
Além da ferramenta de autoexclusão, existem medidas que podem controlar o vício em apostas?
“Existem tratamentos com remédios que podem ajudar quem tem problemas de dependência. Eles não curam, mas ajudam a diminuir a abstinência ou mesmo a sensação de prazer, fazendo com que, aos poucos, a pessoa fique menos interessada naquele comportamento problemático.
Os remédios, porém, não dão conta sozinhos de resolver toda essa questão. É muito recomendável a psicoterapia, até mesmo com familiares, atividades físicas e, no geral, uma rotina saudável. A busca pela espiritualidade também é algo que pode gerar bons resultados, especialmente com álcool e drogas, mas também com as apostas. Não é necessariamente uma religião, mas sim a busca por maneiras de encontrar um propósito de vida, para além dos comportamentos que só dão o prazer imediato”.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.753 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br.
Jornalista: Paulo Semicek
