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Foto: Divulgação

Entre 16 e 27 de setembro, a cidade recebe mais de 400 atrações. Dentro delas é possível seguir um percurso só: o da arte que encostou no cuidado. Cinco paradas, quase todas gratuitas.

A primeira Semana de Arte do Rio, coordenada pela Secretaria Municipal de Cultura, ocupa a cidade de 16 a 27 de setembro. Para quem não quer escolher no escuro, há um recorte que se sustenta sozinho e liga a feira de arte da Marina da Glória a um hospital psiquiátrico do subúrbio.

Ele passa por Lygia Clark. Nos últimos doze anos de vida, a artista deixou de expor e passou a atender pessoas individualmente, uma por vez. Nesse período, colocava sobre o corpo delas sacos de ar e de água, almofadas de areia e de pedras, materiais com qualidades contrastantes, como leve e pesado, cheio e vazio, grande e pequeno, duro e macio, rígido e maleável.

Clark chamou esses materiais sensoriais de “objetos relacionais”, por estarem ali para criar relações, isto é, associações ou, nas palavras da própria artista, “transas entre diferentes formações internas”. Dispostos sobre a superfície do corpo, os objetos provocam sensações e ativam memórias corporais ligadas a vivências traumáticas, situações-limite de ameaça à sobrevivência. Os acontecimentos sensoriais contam, assim, uma história que ficou guardada na memória do corpo. O procedimento terapêutico é chamado de “pares de opostos”, enquanto o procedimento de “Estruturação do Self” organiza essa experiência. Quatro décadas depois, a prática continua sendo realizada na clínica carioca e acaba de ganhar um novo livro.

O percurso

Para quem quiser seguir esse fio entre arte e cuidado durante a Semana de Arte do Rio, o trajeto pode começar pela ArtRio, na Marina da Glória, entre 16 e 20 de setembro, e seguir para a 34ª edição do Arte de Portas Abertas, em Santa Teresa, nos dias 19, 20, 26 e 27. Ao longo de todo o período, duas visitas ajudam a ampliar esse olhar: o Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, no Centro, dedicado ao artista que compartilhou com Lygia Clark a transformação do espectador em participante, e o Museu de Imagens do Inconsciente, em Engenho de Dentro, criado por Nise da Silveira no mesmo complexo onde os objetos relacionais continuam sendo aplicados na clínica até hoje. O percurso culmina em 24 de setembro, às 18h30, na Livraria Argumento, no Leblon, com o lançamento de A vassoura da bruxa: Lygia Clark na arte da Lou-Cura, quando a psiquiatra e psicanalista Nívia Bittencourt conversa com Lula Wanderley e Aristides Alonso sobre a fase clínica da artista, seguida de sessão de autógrafos e coquetel, com entrada franca.

Quando a arte encontra a clínica

É justamente essa passagem da experiência artística para a prática clínica que está no centro da nova edição de “A vassoura da bruxa: Lygia Clark na arte da Lou-Cura”. A pesquisa de Nívia Bittencourt acompanha a totalidade da trajetória de Lygia Clark, desde a primeira etapa, marcada pela criação de objetos de arte e culminando nos Bichos, esculturas sem base, até o momento em que o espectador passa a participar da realização das chamadas Proposições. Essa segunda etapa revelou o caráter terapêutico do trabalho da artista e levou à formulação de um procedimento de Cura, a Estruturação do Self, em que Lygia atendia pessoas individualmente, fazendo uso de objetos relacionais para tratar inibições, paralisias e sintomas dissociativos, em quadros estacionários ou de regressão psicótica. O lançamento acontece no dia 24, às 18h30, na Livraria Argumento do Leblon, com conversa entre Nívia, Lula Wanderley e Aristides Alonso, além de autógrafos e coquetel. A entrada é franca.

SOBRE A AUTORA

Nívia Bittencourt é médica psiquiatra e psicanalista. Fez residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, mestrado na área de psiquiatria pela UFRJ e doutorado em Comunicação e Cultura pela ECO/UFRJ. Atuou como psiquiatra clínica e preceptora no antigo Centro Psiquiátrico Pedro II e como psiquiatra clínica no Instituto Philippe Pinel. Mantém consultório desde o início da carreira e, após formação teórico-clínica no Colégio Freudiano do Rio de Janeiro, hoje departamento da NovaMente, passou a atuar também como psicanalista. CRM-RJ 35.597-1 · RQE 5358.

Fonte: Pietra Ribeiro – La Presse Comunicação

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