Profissionais de saúde da Itália visitam Programa Médico de Família de Niterói (1) (1)

Foto/Divulgação: Carol Ito, Observatório de Políticas Públicas de Saúde/SUS, Unifesp

 Niterói recebeu, nesta terça-feira (5), cerca de 60 profissionais de saúde de Bolonha, na região da Emília-Romanha, Itália, para uma imersão na rotina da Atenção Primária à Saúde (APS) do município. A visita técnica ocorreu no módulo do Programa Médico de Família (PMF) do Preventório, em Charitas, e integrou a programação do Workshop Internacional: Engajamento da Comunidade no Cuidado à Saúde.

Participaram da atividade enfermeiros, médicos, pesquisadores e outros profissionais vinculados à Universidade de Bolonha, que vieram ao Brasil para conhecer na prática o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) em nível local. A iniciativa foi articulada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Niterói.

“É com muito orgulho que podemos compartilhar um pouco do trabalho desempenhado pelo nosso sistema de saúde em uma troca de experiências com Bolonha. Isso é enriquecedor e possibilita um avanço importante para ambos os lados”, afirmou a secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows.

Divididos em grupos nos turnos da manhã e da tarde, os visitantes acompanharam diferentes frentes de trabalho da unidade, observando de perto o atendimento, a organização das equipes e a relação dos profissionais com o território. A proposta foi proporcionar uma vivência direta com o modelo brasileiro de APS, marcado pela atuação multiprofissional e pelo vínculo com a comunidade.

Para a diretora-geral da Fundação Estatal de Saúde de Niterói (FeSaúde), Maria Célia Vasconcellos, o intercâmbio representa uma oportunidade de aprendizado mútuo. “Receber profissionais de outros países na nossa rede é uma oportunidade valiosa de troca. A Atenção Primária à Saúde de Niterói é construída no dia a dia, com forte vínculo com o território, e esse tipo de experiência fortalece ainda mais o nosso trabalho”, afirmou.

A professora da Escola de Enfermagem da UFF, Ana Lucia Abrahão, destacou que o interesse internacional pelo SUS tem crescido justamente por sua dimensão e capilaridade. “Há um grande interesse em entender como operamos um sistema tão amplo. É nesse diálogo que surge a oportunidade de vivenciar, mesmo que por um curto período, como os profissionais brasileiros fazem o SUS acontecer”, explicou.

Durante a visita, os profissionais italianos puderam observar práticas como o trabalho em equipe, as visitas domiciliares e a atuação dos agentes comunitários de saúde.

A médica de família italiana Susanna Aere chamou a atenção para essas diferenças. “Na Itália, os médicos atuam de forma mais individual. Aqui, vemos uma integração muito forte com o território e a população. Isso torna o cuidado mais próximo e, na minha visão, muito enriquecedor”, avaliou.

A experiência em Niterói teve como objetivo ampliar o olhar sobre diferentes formas de organização do cuidado e fortalecer o intercâmbio de conhecimentos entre os dois países, promovendo reflexões sobre práticas que podem ser adaptadas a diferentes contextos de saúde.

Para Ana Paula Gregório, gerente de Ensino e Produção do Conhecimento da FeSaúde, “a visita técnica é uma potente estratégia de formação que promove a inserção de estudantes e profissionais nas unidades de saúde, fortalecendo a integração ensino-serviço. Essa parceria, construída ao longo do tempo com a UFF, reafirma o compromisso institucional com a qualificação do cuidado e com a produção de conhecimento”.

Esta não é a primeira vez que as duas cidades trocam experiências na área da saúde. Em 2023, Luca Rizzo Nervo, então secretário de Saúde, Bem-estar, Nova Cidadania e Fragilidade do Município de Bolonha, esteve no Médico de Família do Bernardino e conheceu parte do sistema de saúde de Niterói e os fluxos de trabalho no território.

Programa Médico de Família de Niterói – referência nacional

A escolha de Niterói como destino da visita não foi por acaso. O município é reconhecido nacionalmente pela consolidação de um modelo robusto de Atenção Primária à Saúde, centrado no cuidado territorial e na atuação integrada das equipes.

Implantado em 1991, o Programa Médico de Família de Niterói nasceu de um convênio internacional de cooperação técnica com Cuba, o que possibilitou a construção de uma proposta pioneira, adaptada à realidade brasileira e alinhada aos princípios do SUS: universalidade, integralidade e equidade. Reconhecido como uma das principais experiências de APS no país, o programa consolidou o município como referência nacional e inspirou a criação de políticas públicas como o Programa Saúde da Família, a Estratégia de Saúde da Família e os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf).

Atualmente, o programa conta com 45 módulos, 115 equipes de Saúde da Família, 37 equipes de Saúde Bucal, nove equipes multiprofissionais e duas equipes do Consultório na Rua, garantindo atendimento contínuo e humanizado a mais de 220 mil pessoas cadastradas.

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