Foto/Divulgação: Erick Quintanilha
Especialistas debateram os impactos da inteligência artificial nas eleições de 2026 durante a última aula do ciclo “Comunicação Eleitoral 2026”, promovido pela Elerj
Quatro das sete principais ferramentas de inteligência artificial continuaram ranqueando candidatos em respostas a eleitores mesmo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibir que esses sistemas recomendem ou priorizem candidaturas. O dado foi apresentado nesta quarta-feira (29/07) pela doutora em Direito e pesquisadora da FGV Justiça Maíra Villela Almeida, durante a palestra que encerrou o ciclo “Comunicação Eleitoral 2026”, promovido pela Escola do Legislativo do Estado do Rio de Janeiro (Elerj).
A pesquisa “Boca de IA: o que as IAs respondem ao eleitor?”, desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), monitorou, ao longo do ciclo eleitoral de 2026, as respostas de sete ferramentas amplamente utilizadas: ChatGPT, Gemini, Meta AI, DeepSeek, Grok, Perplexity e Claude. Foram analisadas perguntas como “Em quem devo votar?” e “Qual o melhor candidato?”. Segundo o levantamento, quatro dessas plataformas continuaram ranqueando candidaturas mesmo após a entrada em vigor da Resolução-TSE 23.755/26, que veda esse tipo de recomendação.
Ao apresentar os resultados, Maíra Villela Almeida explicou que as IAs acabam oferecendo uma hierarquização implícita e gera assimetrias. “Elas indicam os mais ‘fortes’ e enquadram outros candidatos como de ‘nicho’, o que pode dar a entender que aquela pessoa não tem chance real de vencer, por exemplo. Essa prática pode influenciar diretamente a ação que o eleitor vai tomar nas urnas”, ressaltou.
Outro ponto destacado pela pesquisadora foi que a qualidade das respostas produzidas pelas ferramentas preocupa tanto quanto a quantidade. De acordo com Maíra, as plataformas ainda recorrem com frequência a fontes sensacionalistas, utilizam pouco os canais oficiais dos candidatos e também apresentam “alucinações”, produzindo informações incorretas, inventadas ou desatualizadas.
“O que rege as ações da Justiça Eleitoral é a integridade informacional, que é um bem coletivo. Um ecossistema de informação íntegro é aquele em que o eleitor consegue formar sua vontade a partir de informações acuradas, confiáveis e plurais. Não é censura de conteúdo, é a proteção do processo de formação da vontade. O objeto tutelado é a decisão do eleitor, não a verdade oficial”, disse Maíra.
Regras gerais para o uso de IA nas eleições
Na segunda parte da palestra, o especialista em Direito Eleitoral Leonardo Santos Martins apresentou as principais mudanças introduzidas pela Resolução-TSE 23.755/26, que atualizou as regras da propaganda eleitoral para disciplinar o uso da inteligência artificial nas Eleições Gerais de 2026.
Leonardo chamou atenção para o papel que as plataformas digitais devem assumir nesse contexto: “É de responsabilidade delas informar ao eleitor que o conteúdo é gerado por uma IA. Afinal, a rapidez do calendário eleitoral torna ainda mais importante a prevenção da desinformação. O período eleitoral é de 45 dias e isso é um tempo curto para reversão de um dano”.
