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Especialista explica como alterações hormonais influenciam sono, metabolismo, humor e qualidade de vida e alerta para os riscos da reposição sem indicação médica
Cansaço persistente, dificuldade para emagrecer, queda de cabelo, alterações no sono e perda de libido. Embora esses sintomas sejam frequentemente associados a “problemas hormonais”, especialistas alertam que nem sempre a causa está nos hormônios e que a automedicação ou a reposição hormonal sem diagnóstico podem trazer riscos à saúde.
Segundo o médico nutrólogo Arthur Rocha, os hormônios exercem papel fundamental no funcionamento do organismo e influenciam praticamente todas as funções do corpo.
“Os hormônios são como mensageiros químicos. Eles regulam energia, metabolismo, sono, fome, humor, libido, ganho de massa muscular e diversas outras funções. Quando estão equilibrados, o organismo funciona de maneira harmônica. Quando há alterações, diferentes sintomas podem surgir”, explica.
O alerta ganha importância diante do crescimento das discussões sobre saúde hormonal nas redes sociais. Apesar da popularização do tema, Arthur Rocha destaca que sintomas isolados não confirmam um desequilíbrio hormonal.
“É muito comum receber pacientes que acreditam precisar de reposição hormonal porque estão cansados ou com dificuldade para emagrecer. Mas esses sintomas podem ter inúmeras causas. O diagnóstico deve ser individualizado e baseado em avaliação clínica e exames laboratoriais.”
Entre os principais sinais que merecem investigação médica estão fadiga persistente, alterações do sono, irritabilidade, ganho de gordura abdominal, perda de massa muscular, queda de cabelo, diminuição da libido e alterações menstruais.
Outro fator que merece atenção é o impacto do estilo de vida sobre o sistema hormonal. Dormir pouco, viver sob estresse constante e manter hábitos inadequados podem modificar a produção de hormônios importantes para o metabolismo.
Estudos apresentados pela Endocrine Society mostram que a privação de sono pode aumentar os níveis de cortisol e reduzir a testosterona, favorecendo resistência à insulina e alterações metabólicas.
De acordo com o especialista, esses fatores ajudam a explicar por que muitas pessoas encontram dificuldade para perder peso mesmo mantendo alimentação equilibrada e atividade física.
“Hormônios como insulina, cortisol e os hormônios da tireoide podem interferir no metabolismo e no armazenamento de gordura. Porém, isso não significa que toda dificuldade para emagrecer seja causada por alterações hormonais.”
A atenção deve ser redobrada em algumas fases da vida. Nas mulheres, mudanças hormonais tornam-se mais frequentes durante o climatério e a menopausa. Já nos homens, a testosterona tende a diminuir gradualmente a partir da terceira ou quarta década de vida. Ainda assim, Arthur Rocha reforça que a presença de sintomas é mais importante do que a idade isoladamente.
Para preservar o equilíbrio hormonal, hábitos simples continuam sendo os maiores aliados. “Dormir bem, praticar atividade física regularmente, controlar o estresse, manter uma alimentação equilibrada, evitar o excesso de álcool e não fumar fazem uma enorme diferença. O organismo funciona como uma orquestra: quando esses pilares estão alinhados, os hormônios tendem a funcionar melhor.”
O nutrólogo também chama atenção para um dos maiores mitos que observa no consultório: acreditar que a reposição hormonal é uma solução rápida para qualquer sintoma. “Hormônio não é fórmula mágica. A reposição hormonal é indicada apenas quando existe deficiência comprovada e avaliação médica criteriosa. Quando utilizada sem necessidade, pode provocar efeitos adversos importantes. Cada tratamento precisa ser individualizado.”
As diretrizes da Sociedade Europeia de Endocrinologia também reforçam que a investigação hormonal deve ser direcionada pela avaliação clínica, evitando exames e tratamentos indiscriminados.
Fonte: Palavra Comunicação
