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Foto/Divulgação: Pexels

Morar em uma favela significa votar de determinada maneira? A realidade dos territórios populares mostra uma relação mais complexa entre lugar, experiências e escolhas políticas. 

Não é novidade que, em época de eleição, as favelas se tornam assuntos recorrentes nos discursos políticos, seja como alvo de propostas de governo ou como territórios estratégicos para campanhas. Em ambas as situações, porém, os moradores muitas vezes acabam tratados como personagens secundários de uma discussão que diz respeito diretamente às suas vidas.

Os números mostram a dimensão desses territórios. Segundo o Censo Demográfico do IBGE (2022), existem 2,1 milhões de moradores distribuídos em 1.724 favelas do Rio de Janeiro. São milhões de eleitores que, apesar de compartilharem algumas condições de vida, não formam um grupo político homogêneo.

Cada morador possui suas próprias experiências, prioridades e razões para escolher um candidato. Para alguns, a segurança pode estar entre as principais preocupações. Para outros, emprego, renda, saúde, educação, transporte ou acesso a serviços públicos podem pesar mais na hora de votar.

Mas até que ponto o lugar onde uma pessoa mora influencia sua escolha nas urnas? 

O voto costuma ser impulsionado por um senso de urgência. O eleitor analisa qual dos candidatos oferece uma solução prática para determinado problema. Como saneamento, transporte, saúde e segurança.

Para os moradores das favelas cariocas, segurança pública é o tópico principal que deve ser abordado pelos candidatos. “Segurança pública não foi um direito que se estabeleceu nas favelas do Rio de Janeiro. É um direito humano e precisa ser estabelecido e reconhecido pelo Estado e sociedade civil.”, afirmou a fundadora do projeto Redes da Maré, Eliana Sousa Silva no 1º Congresso Internacional: Falando Sobre Segurança Pública na Maré.

Como a segurança se tornou o debate principal?

Nos últimos anos, poucas pautas estiveram tão presentes nas discussões sobre as favelas quanto a segurança pública. O foco no tema não é por acaso: para quem vive nesses territórios, a segurança não é uma discussão teórica sobre o crime, mas um fator decisivo que afeta diretamente a vida e a realidade dessas pessoas.

Por isso, em períodos eleitorais, essa realidade ganha ainda mais espaço. Os candidatos exploram duas óticas. De um lado, discursos focados exclusivamente no aumento da repressão; de outro, propostas pontuais de mediação comunitária. No entanto, ambas abordagens costumam falhar, tendo em vista que reduzem a complexidade da situação.

O que um candidato deve ter para conquistar o voto dessa parte da população?

Conquistar o voto nas periferias exige mais do que um plano de governo focado em segurança pública; exige presença contínua e legitimidade. A expectativa não é apenas de alguém que apareça durante o período eleitoral em busca de votos, mas de um representante capaz de manter diálogo com a comunidade e transformar suas necessidades em políticas públicas. 

No fim, conquistar a confiança desses eleitores depende da capacidade de apresentar propostas concretas e, principalmente, de demonstrar compromisso com as demandas que fazem parte do cotidiano das comunidades. Segurança, emprego, saúde, educação, transporte e acesso a serviços públicos são questões que se cruzam e podem pesar na escolha do voto. 

Por: Maria Fernanda Siqueira

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