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Foto: Divulgação

Por Guilherme Pinheiro

 

A montagem de um elenco repleto de jogadores extraclasse cobra seu preço quando o calendário de clubes colide com a preparação para a Copa do Mundo. No final de maio, o Flamengo enfrentará um severo desmanche temporário de sua equipe principal, levantando debates urgentes sobre a inflexibilidade das datas estipuladas pelos organizadores e a forma como o esporte de alto rendimento lida com seus ativos.

 

O impacto desta janela de convocações incidirá diretamente no duelo contra o Coritiba, marcado para 30 de maio. Como o Brasil enfrenta o Panamá no dia seguinte, no Rio de Janeiro, a apresentação na Granja Comary ocorrerá no dia 27, retirando Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro e Paquetá do plano de jogo de Leonardo Jardim. Esse êxodo se agrava além das fronteiras com a convocação de outras peças internacionais: Varela, De La Cruz e Arrascaeta podem ser chamados pelo Uruguai, sendo que o último, com uma fratura na clavícula, aproveitará a ausência de amistosos de sua seleção para seguir o tratamento médico. Em paralelo, o Equador de Plata encara a Arábia Saudita no exato dia da partida do rubro-negro, enquanto a Colômbia de Carrascal mede forças contra a Costa Rica logo em seguida, em 1º de junho.

Foto/Divulgação: Guilherme Pinheiro

TENTATIVA DE ADIAMENTO

Com o cenário desolador de perder nove atletas, praticamente metade de sua espinha dorsal, a diretoria rubro-negra tenta adiar o embate contra o Coritiba para o segundo semestre. O argumento logístico é sólido: a eliminação precoce de ambos os clubes da Copa do Brasil gerou datas “ociosas”, somando-se ao fato de que o time carioca já possui uma partida pendente contra o Mirassol.

O posicionamento do clube não é motivado apenas pela conveniência de tabela, algo que ficou perfeitamente evidenciado pelo discurso do Leonardo Jardim após o triunfo sobre o Estudiantes:

— “Eu acho que tem que ter um bom senso. Já trabalhei em alguns lugares que se tem cinco convocados, e o jogo é adiado. Isso é uma coisa do bom senso, não podemos limitar uma equipe em nove jogadores e querer que ela compita de igual para igual. O Flamengo quer (adiamento), mas vamos ver. São nove jogadores, é quase metade do nosso elenco.”

 

Ao pedir “bom senso” e questionar a viabilidade de competir em igualdade após ser desfalcado de seus principais jogadores, Leonardo Jardim expõe uma questão importante sobre o planejamento do Brasileirão Betano 2026. Resta, portanto, uma reflexão inescapável para os gestores: até quando os clubes que mais investem em excelência técnica continuarão sendo os maiores punidos pela própria arquitetura do calendário que integram?

 

 

 

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