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Foto/Divulgação: Armazém Cardosão

Enquanto empresas se preparam para a nova regra, que passa a valer em dezembro, estabelecimentos cariocas destacam ganhos em engajamento, ambiente de trabalho e retenção de profissionais

 

Com a promulgação da Emenda Constitucional nº 141, em 16 de outubro, o Brasil oficializou o fim da escala 6×1. A partir de meados de dezembro, 60 dias após a promulgação, a escala 5×2 — cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado por semana — passa a ser a regra, e a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais, chegando a 40 horas após 14 meses, sem redução salarial. Enquanto boa parte do setor de gastronomia e hospitalidade corre para se adaptar, bares e restaurantes do Rio de Janeiro que se anteciparam à mudança já colhem, há anos, os resultados do modelo.
 

Casas como Armazém Cardosão, Bafo da Prainha, Baixela, Bar da Frente, Casa Porto, Botica, Capiau, Cotovelo, Gingada e Basta adotaram jornadas mais equilibradas antes mesmo da exigência legal, reforçando um movimento que conecta gestão de pessoas, sustentabilidade empresarial e experiência do consumidor. Em um mercado historicamente marcado por jornadas extensas e alta rotatividade, essas casas chegam à nova regra com a transição já feita.
 

A aprovação encerrou uma tramitação iniciada em 2019. A PEC 221/2019 passou pela Câmara dos Deputados em maio e foi aprovada pelo Senado em 14 de outubro, em dois turnos, por 75 votos a 1, seguindo diretamente para promulgação. O texto prevê, excepcionalmente e mediante convenção ou acordo coletivo, a possibilidade de regimes compensatórios diferentes da 5×2 — ponto de atenção para atividades que funcionam todos os dias da semana, como bares e restaurantes.
 

No setor, onde desafios como retenção de mão de obra, desgaste físico e alta demanda operacional fazem parte da rotina, os empresários que já operam no modelo afirmam que a escala 5×2 apresenta resultados concretos. Entre os principais benefícios apontados estão maior engajamento das equipes, redução do turnover, melhora no ambiente de trabalho e reflexos positivos no atendimento ao público. Para quem ainda está em fase de adaptação, a experiência dessas casas serve de referência prática.

 

Foto/Divulgação: Armazém Cardosão

 

No Armazém Cardosão, tradicional bar de Laranjeiras reconhecido como Patrimônio Cultural Carioca, a escala 5×2 já integra a cultura da empresa há anos — muito antes de se tornar obrigatória. Para Rodrigo Montenegro, sócio do estabelecimento, a decisão sempre esteve ligada à valorização das pessoas e à construção de relações de trabalho mais saudáveis dentro do setor gastronômico.
 

“Desde muito cedo entendemos que um negócio sustentável também passa pela forma como cuidamos das pessoas que fazem a operação acontecer diariamente. O Cardosão já trabalha há bastante tempo com a escala 5×2 porque acreditamos que descanso, qualidade de vida e equilíbrio impactam diretamente no bem-estar da equipe e na qualidade do serviço prestado. Na prática, percebemos isso no clima do ambiente, no engajamento dos funcionários e até na experiência do cliente”, afirma.
 

Rodrigo também destaca que o modelo contribui para fortalecer a imagem e a sustentabilidade do negócio no longo prazo. “O setor de bares e restaurantes sempre conviveu com jornadas muito intensas, mas acreditamos que é possível construir uma operação eficiente sem abrir mão de relações mais humanas. Hoje vemos que esse formato ajuda não apenas na retenção de profissionais, mas também na construção de um ambiente mais saudável, produtivo e alinhado às novas demandas do mercado”, completa.
 

Com a nova regra, a jornada mais equilibrada deixa de ser apenas um diferencial e passa a ser obrigação para todo o mercado formal. Ainda assim, quem já tinha o modelo implantado sai na frente: equipes adaptadas, escalas testadas na prática e uma cultura organizacional construída ao longo do tempo. O movimento acompanha uma transformação mais ampla no comportamento de consumidores, investidores e empresas, cada vez mais atentos a pautas ligadas a ESG, saúde mental, responsabilidade social e clima organizacional.
 

Mais do que o cumprimento de uma exigência legal, empresários apontam que a experiência dessas casas mostra uma mudança estrutural na forma de pensar hospitalidade, relações de trabalho e sustentabilidade no setor gastronômico brasileiro — e que é possível fazer essa transição com eficiência e bons resultados. 

Fonte:  Joana Carvalho

 

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