Foto/Divulgação: Primeiro Plano
Filme de Estevão Ciavatta acompanha reconstrução após acidente que o deixou tetraplégico e a relação entre corpo, natureza e a passagem do tempo
Uma queda durante uma cavalgada. Um instante capaz de dividir a vida entre o antes e o depois. Em novembro de 2008, aos 40 anos, o cineasta Estêvão Ciavatta Pantoja sofreu um acidente que o deixou tetraplégico. Após um longo processo de reabilitação, recuperou os movimentos e passou a reconstruir sua relação com o próprio corpo, com o tempo e com a vida. Essatrajetória, marcada por desafios, descobertas e novas possibilidades, chega às telas em “No Passo da Cobra”, documentário autobiográfico original Aquarius que acaba de ganhar trailer oficial e tem estreia prevista para9 de outubro no Festival do Rio, com sessão no Centro Cultural FGV, em Botafogo, às 21h15.
Com 85 minutos de duração, o longa acompanha a jornada de Estêvão em seu processo de regeneração após o acidente e parte de sua experiência pessoal para investigar como é possível transformar momentos de sofrimento em um processo de reconexão com a vida. Entrememórias, encontros e reflexões, o filme aborda identidade, corpo, tempo e as diferentes formas encontradas para seguir adiante depois de uma ruptura.
O ponto de partida da narrativa é uma pergunta aparentemente simples: “Quem sou eu?”. Para o cineasta, encontrar uma resposta é um processo que pode levar uma vida inteira e nem todos conseguem chegar lá. O acidente, nesse sentido, não representa apenas umaruptura física, mas o início de uma nova etapa, dessa vez de investigação pessoal.
“Quando entendi que o meu corpo, estirado no chão de terra batida, poderia nunca mais sair daquela posição, um grande vazio se abriu dentro e fora de mim. Mas eu não desisti, pelo contrário, me dediquei a conviver e aprender com as dificuldades e, quandopossível, superá-las. Não me impus metas, sem apressar o tempo, pois o tempo das coisas acontecerem é sim fruto do nosso esforço, mas não depende apenas da gente. O mundo é grande, diverso e complexo. Melhor é viver ‘no passo da cobra’”, conta Estêvão.
A relação com a natureza atravessa a trajetória profissional do artista e também ocupa um lugar importante em sua jornada pessoal. Antes de se consolidar no audiovisual, o cineasta cursou Engenharia Florestal e, por meio da sua produtora, a Pindorama Filmes,dirigiu e idealizou projetos dedicados à natureza e à sustentabilidade. Entre eles está “Um Pé de Quê?”, que explora a flora brasileira e exótica a partir das histórias, lendas, valores biológicos e culturais de diferentes espécies de árvores, e “AmazôniaSociedade Anônima”, documentário e série do Fantástico que aborda a destruição da floresta amazônica e o protagonismo de populações tradicionais e indígenas na defesa de seus territórios. A Pindorama também é pioneira ao adotar um modelo de produção cinematográfica100% carbono zero.
Além da produtora, Estêvão também é sócio fundador da Pororoca, agência de comunicação voltada para projetos de sustentabilidade, criada em sociedade com Raphael Vandystadt sob o chapéu da agência África. Em dezembro, a Pororoca completa um ano de atuação.O nome remete à potência de grandes encontros e traduz a proposta da agência de buscar ações para marcas interessadas em contemplar as demandas necessárias à sustentabilidade do planeta e da humanidade.
Em paralelo, é justamente essa relação entre corpo, natureza e transformação que atravessa “No Passo da Cobra”. O documentário acompanha os momentos desse percurso de recuperação de Estêvão. Ao longo dos anos, a experiência da tetraplegia, a reabilitação e as transformações vividas por ele deram origema diferentes registros e projetos realizados em família, que ajudam a construir um olhar de longo prazo sobre as mudanças provocadas pelo acidente e sobre o processo, consequente adaptação e seu desejo de seguir vivendo. Em 2025, quase duas décadas depoisda queda, o cineasta celebrou um novo capítulo dessa história ao escalar a Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro. A experiência, registrada em audiovisual, tornou-se mais um capítulo dessa relação entre corpo, natureza, movimento e os caminhos encontrados paraseguir adiante.
A expressão que dá nome ao documentário traduz justamente essa maneira de encarar a vida depois do acidente. Sem estabelecer metas rígidas ou tentar controlar completamente o tempo das coisas, Estêvão passou a conviver com limites, ciclos e transformações,encontrando na própria natureza uma referência para esse processo.
Além do próprio diretor, que assina roteiro, direção e produção, o longa reúne participações de Regina Casé, esposa do diretor, do neurocirurgião Paulo Niemeyer, da fisioterapeuta e pesquisadora Lúcia Willadino Braga, de José Vicente Martins e de Pai Celinhode Omulu. Os diferentes encontros contribuem para ampliar a reflexão do filme sobre corpo, espiritualidade, ciência, afeto e as muitas maneiras de reconstruir uma vida.
O longa é produzido por Macaco Gordo Publicidade Ltda. e Pindorama Filmes Ltda., com distribuição da Downtown Filmes.
O relato de “No Passo da Cobra” também ganha uma versão em livro. Publicada pela Editora Record, a obra chega às livrarias em 10 de novembro, data que marca os 18 anos do acidente, e reúne 192 páginas. Em outra linguagem, o livro amplia a narrativa construídano documentário, aprofundando as memórias do acidente, o longo processo de recuperação e os aprendizados encontrados por Estêvão durante esse percurso.
FICHA TÉCNICA:
Duração: 85 minutos
Duração: 85 minutos
Ano e país de produção: Brasil 2026
Classificação indicativa: 14 anos
Empresas produtoras: Macaco Gordo Publicidade Ltda e Pindorama Filmes Ltda
Distribuição: Downtown Filmes
Roteiro, Direção e Produção: Estêvão Ciavatta Pantoja
Produção Executiva: Renata Carpenter
Fotografia e câmera: Dudu Miranda
Edição: Luana Bazhuni
Arte: Nelson Porto
Trilha Sonora: Berna Ceppas
Som Direto: Daniel Martins
Elenco: Estevão Ciavatta Pantoja, Regina Casé, Dr. Paulo Niemeyer, Dra. Lúcia Willadino Braga, José Vicente Martins e Pai Celinho de Omulu
BIOGRAFIA
Estêvão Ciavatta Pantoja é autor, produtor e diretor formado em Cinema na UFF-RJ. Ele é sócio fundador da Pororoca, agência de comunicação para projetos de sustentabilidade, e da Pindorama Filmes, a primeira produtora audiovisual Carbono Neutro do mundo e referênciaem questões sociais e ambientais. Ciavatta já dirigiu dezenas de filmes e programas de televisão, destacando-se: o filme de realidade virtual AMAZÔNIA VIVA – Melhor Filme Festival Planeta, Barcelona 2023; a campanha ÁRVORE REFUGIADA – Leão de Ouro Cannes 2022e Prêmio El Ojo; o longa-metragem AMAZÔNIA SOCIEDADE ANÔNIMA – One World Media Award 2021 e Melhor Filme no Festival Internacional De Cinema De Alter Do Chão 2020; as séries de ficção para HBO Latam SANTOS DUMONT – vencedor do Telly Awards Entretenimento eCinematografia 2019, e PREAMAR – seleção oficial do Festival de Biarritz 2013; a série educativa UM PÉ DE QUE? – Melhor Programa de Televisão – Nature Conseracy e SOS Mata Atlântica 2009 e o maior acervo audiovisual sobre árvores do mundo; e o programa semanalCENTRAL DA PERIFERIA – Melhor Programa de Televisão – APCA 2007.
Estevão também liderou a campanha de crowdfunding “Dá Pé”, uma das 10 maiores do Brasil, que mobilizou 7 milhões de pessoas para plantar 36 mil árvores e ganhou o Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade pela restauração de nascentes e matas ciliares da MataAtlântica.
FILMOGRAFIA
LÍNGUAS DA NOSSA LÍNGUA
Longa metragem documental sobre a língua brasileira – 2023
AMAZÔNIA SOCIEDADE ANÔNIMA
Longa-metragem documental sobre grilagem de terras na Amazônia – 2020
MADE IN CHINA
Longa-metragem ficção sobre a invasão chinesa no comércio popular do Rio de Janeiro – 2015
PROGRAMA CASÉ: O QUE A GENTE NÃO INVENTA NÃO EXISTE
Longa-metragem documental sobre o pioneiro do rádio no Brasil Ademar Casé – 2010
SOBRE a Downtown Filmes
Fundada em 2006, a Downtown Filmes é a única distribuidora dedicada exclusivamente ao cinema brasileiro. Desde 2011, ocupa a posição da distribuidora número 1 no ranking de filmes nacionais. De 2006 até hoje, vendeu mais de 50% de todos os ingressos de filmesbrasileiros lançados. Até março de 2024, a Downtown Filmes lançou 158 longas nacionais, que acumularam mais de 180 milhões de ingressos vendidos. Entre os maiores sucessos da distribuidora estão “Minha Mãe É Uma Peça 1, 2 e 3”, estrelados por Paulo Gustavo;“De Pernas Pro Ar 1 e 2”, e “Loucas Pra Casar”e “Fala Sério, Mãe!” com Ingrid Guimarães; “Chico Xavier”, “Elis”, “Minha Vida em Marte” com Paulo Gustavo e Mônica Martelli, “Cine Holliúdy 1 e 2”, “Simonal”, “Mussum, O Filmis”, “Os Farofeiros 1 e 2” com MaurícioManfrini e Cacau Protásio e o Documentário “Zico, o Samurai de Quintino”, lançado em abril deste ano.
SOBRE a Aquarius
Aquarius é um slow streaming para assistir sem pressa. Uma curadoria audiovisual de filmes, séries, meditação e yoga dedicada ao bem-estar e à expansão da consciência. A experiência completa está no app Aquarius. Você também pode assistir nos canais Aquariusno Prime Video e na Claro TV+.
Fonte: Eduarda Goulart – Primeiro Plano
