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Foto: Divulgação

Pessoas com deficiência, com idades entre 16 e 76 anos, foram contratados por 17 empresas.

 

Projeto Ecoar atua junto aos participantes na capacitação profissional e auxilia as empresas na seleção, além de realizar o acompanhamento pós-colocaçãopara garantir a adaptação e permanência dos contratados

 

Cinquenta pessoas com deficiência atendidas pelo Centro de Referência em Educação Inclusiva (Crei Sesc Senac RJ) conquistaram uma vaga no mercado de trabalho no ano de 2025. Foram admitidos 27 homens e 23 mulheres, com idades entre 16 e 76 anos, para vagas que exigiam Ensino Médio, em funções como operador de loja, JovemAprendiz, nas áreas Administrativo e Varejo, assistente administrativo, auxiliar administrativo e de almoxarifado, entre outras. Trata-se de pessoas com deficiência, principalmente intelectual, contratados por 17 empresas e instituições como a Advocacia-Geral da União (AGU), Unisuam, Caçula, Hospital São Francisco, Hospital São Vicente, Bodytech,Grupo Azzas, Assaí Atacadista, Borges e Costa Engenharia, entre outras.

Os recém-admitidos são participantes dos Encontros Continuados para Orientação e Acesso a Renda (Projeto Ecoar), iniciativa do Crei que atua na inclusão profissional de jovens e adultos, incentiva a formação profissional, auxilia as empresas na seleção e realiza o acompanhamento pós-colocaçãode cada profissional com apoio para a adaptação às funções e suporte para permanência no mercado de trabalho. O projeto inspira-se no conceito Job Club – na qual os participantes buscam apoio uns nos outros, para a realização de encontros e discussões sobre temáticas de interesse coletivo, formação profissional e empregabilidade, no intuito de encontrar boas oportunidades de inclusão profissional,com a maior agilidade e autonomia. O Ecoar também atua junto a empresas parceiras em ações de sensibilização a diversidade e inclusão com equipes, gestores e profissionais de Recursos Humanos.

A iniciativa diferencia-se pela abordagem de inclusão profissional em vez de mera inserção. Desta forma, garante acompanhamento contínuo desse profissional,visando a manutenção do emprego e seu desenvolvimento na carreira. Por meio do Observatório de Inclusão e Empregabilidade, o programa contribui para a identificação potencialidades e fragilidades de cada participante, direcionando ações de formação profissionalque favoreçam a permanência qualificada no mercado de trabalho.

“A inclusão profissional de pessoas com deficiência exige mais do que a abertura de vagas; requer preparo, acompanhamento e compromisso com o desenvolvimentode cada indivíduo. O Projeto Ecoar atua justamente nesse sentido, oferecendo orientação, formação e suporte contínuo para que esses profissionais ingressem e permaneçam no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, trabalhamos com as empresas para fortalecer práticasde diversidade e inclusão. Os resultados demonstram que, quando há apoio estruturado, é possível ampliar oportunidades e promover trajetórias profissionais sustentáveis”, afirma a diretora do Crei Sesc Senac, Maria Antônia Goulart da Silva.

A parceria com o Grupo Azzas, maior grupo de moda da América Latina, com empresas como Farm, Arezzo, Hering e Animale, resultou na inclusão de 15 profissionaiscom deficiência. Por meio, do programa ‘Transforma’, a empresa, em parceria com o Senac RJ, capacitou os participantes para atuação como operadores de loja, assistentes de desenvolvimento de produto e outras funções. Já a Unisuam Bonsucesso incluiu 11 profissionaisem funções administrativas e de captação, demonstrando compromisso institucional com a inclusão.

No Hospital São Francisco, o Crei Sesc Senac promoveu reunião de conscientização com as lideranças e ao desenvolver o projeto Vivências. “Essas ações permitiramdemonstrar, na prática, como esses profissionais agregam valor à equipe, fortalecendo a diversidade e contribuindo de maneira única para o ambiente organizacional. A iniciativa ajudou a ampliar o olhar da liderança, reforçando que inclusão não é apenas cumprimentode cota, mas potencialização de talentos”, afirma o gestor de Responsabilidade Social do HSF, Messias Castilho.

Segundo ele, o trabalho foi essencial para desconstruir estigmas relacionados à limitação. “Ficou evidente que, com o suporte adequado e a personalizaçãodo processo de aprendizagem e integração, os profissionais desenvolvem autonomia e ampliam suas soft skills, como comunicação, responsabilidade, trabalho em equipe e autoconfiança. A adaptação tem ocorrido de forma progressiva e positiva. A inclusão exige intencionalidade, liderança comprometida e apoio contínuo. À medida que o relacionamento comos colegas se fortalece, cria-se um ambiente de confiança, o que impacta diretamente no desenvolvimento das funções e na segurança para executar as atividades. O acolhimento da equipe tem sido um fator determinante para essa evolução. Um exemplo marcante foidurante a eleição da CIPA, quando tivemos um colaborador com deficiência eleito.”, afirma.

O jovem Dan Lavrador, de 26 anos, é um dos contratados pelo Hospital São Francisco, atuando como auxiliar-administrativo e na triagem de currículos. “Estougostando muito do novo trabalho. É um local muito acolhedor. Com esse novo trabalho, estou bem mais social”, afirma.

A Advocacia-Geral da União (AGU) também contou com o apoio do CREI no processo de contratação de profissionais com deficiência física. Os participantes atuampor meio da empresa Construir e são acompanhados por uma analista de desenvolvimento profissional do Crei Sesc Senac.

“Desde o início das atividades, a AGU observa grande desenvolvimento nas habilidades comportamentais, socioemocionais e interpessoais desses profissionais.Eles participam ativamente das ações de qualidade de vida no trabalho, contribuindo com reflexões sobre um ambiente laboral saudável e seguro, de maior inclusão e respeito à diversidade na instituição. A AGU também verifica uma adaptação contínua desses profissionaisao ambiente corporativo. As equipes têm experimentado um ambiente de maior diversidade, ampliando as trocas para tornar o trabalho mais eficiente e agregador de ideias e ações que contribuam com as entregas à sociedade. A experiência tem incentivado a instituiçãoa buscar novas ações de diversidade, fortalecendo práticas de inclusão e acessibilidade”, afirma o superintendente regional de Administração da AGU, Hermington Chianca.

Uma das contratadas pela AGU é a Amanda Furtado. Com 42 anos, ela conquistou uma vaga de assistente administrativo do setor de contratos. “O Crei me ajudoua conseguir voltar para o mercado de trabalho após passar por um tratamento de câncer. Me sinto bem aqui e essa recolocação profissional me ajudou de forma voltar a me sentir útil”, afirma. 

Com 22 anos, Matheus Portal obteve uma colocação na Unisuam, onde é auxiliar de relacionamento, realizando serviços administrativos e atendimento e suporteaos alunos. “Esse é meu segundo emprego. O Crei me ajudou em todo processo seletivo, me deu suporte na adaptação dentro da empresa e tem acompanhado minha evolução. Estou gostando muito do meu trabalho, estou sempre aprendendo algo novo e expandindo meu conhecimentoe capacidade profissional. Esse novo trabalho vem me ajudando muito em me deixar mais independente, confiante e com rumos e sonhos que estão sendo possíveis de ir atrás atualmente”, diz.

Mãe do jovem Gustavo Ferreira, de 21 anos, Beatriz Ferreira destaca que o primeiro emprego tem contribuído muito com o desenvolvimento social de seu filho,contratado pela empresa Apllus. “Essa inclusão profissional, com o apoio do Crei, foi muito importante pelo olhar acolhedor, valorizando o potencial do meu filho independente de suas limitações. Com seu salário, ele está aprendendo lidar com dinheiro.  Eleestá muito feliz no trabalho. É muito mais que uma terapia, um aprendizado”, ressalta.

Inserção profissional Levantamento recente elaborado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com baseem informações do eSocial, em janeiro deste ano, mostra que o país tem 545.940 mil pessoas com deficiência e reabilitados do INSS inseridos no mercado formal de trabalho. Destes, 93% estão em empresas com mais de 100 empregados. Segundo a Lei nº 8.213/91,conhecida como Lei de Cotas, empresas com mais de 100 empregados precisam ter entre 2% e 5% do seu quadro funcional composto por pessoas com deficiência.

O Crei Sesc Senac é um espaço dedicado à produção de conhecimento, à formação e à disseminação de estratégias e materiais de apoio à educação integral naperspectiva inclusiva e na inclusão no trabalho de pessoas.  Parte da sua missão a inclusão profissional de pessoas com deficiência intelectual (DI) e transtorno do espectro autista (TEA) no mundo do trabalho como promoção de autonomia, protagonismo e melhorqualidade de vida.

Sobre o Crei Sesc Senac

Localizado no Sesc Tijuca, o Centro de Referência em Educação Inclusiva Sesc Senac (Crei Sesc Senac) é um espaço dedicado à promoção da inclusão social eao fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. O Crei Sesc Senac oferece atendimentos transdisciplinares para crianças, jovens e adultos de 2 a 29 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Trissomia do Cromossomo 21. Além disso, atende suasfamílias com iniciativas especializadas e promove formação para profissionais que atuam na área.

Fonte: Patricia Diniz

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