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Tales Gomes, idealizador do Trilhar; Gustavo Guanabara, professor e youtuber; as alunas Alice e Zilda, vencedoras do 1º lugar; e o divulgador científico Átila Iamarino (Foto/Divulgação: Anderson Coutinho)

Júri contou com participação do divulgador científico Átila Iamarino, do humorista Hélio de la Peña e da bióloga influenciadora digital Eduarda Biologueirinha

Soluções tecnológicas criadas por alunos de escolas públicas e privadas do estado do Rio foram premiadas no “Trilhar Maker Labs: Pitch for Peace”, evento realizado nesta quinta-feira (30/04) na sala Cecília Meirelles, no Centro do Rio. As ideias foram analisadas por jurados como o divulgador científico Átila Iamarino e o head de produtos para empresas, Helder Alves.

As propostas nasceram do Trilhar, projeto educacional apoiado pelo programa Jovens pela Paz da Unesco, destinado a incentivar o empreendedorismo de impacto social com uso da tecnologia, o diálogo intercultural e a cultura de paz. Centenas de estudantes de 11 a 16 anos do Rio de Janeiro, Petrópolis e Três Rios participaram do projeto entre fevereiro e abril.

“Nós ensinamos os alunos a desenvolverem suas competências e habilidades empreendedoras, com pensamento crítico, trabalho em equipe, oratória, vendas, marketing, como estruturar sua empresa”, explica Tales Gomes, idealizador do Trilhar Labs. “O que queremos é ajudar esses alunos a construírem ferramentas para que possam acessá-las no futuro e tomar boas decisões.”

O grande vencedor da competição, entre 15 concorrentes apresentados ao júri, foi o projeto Calm Chat, plataforma digital que conecta refugiados em busca de suporte emocional a psicólogos compatíveis de acordo com seu perfil, com atendimento via chat, áudio ou vídeo.

O Calm Chat foi criado por Alice Meyer-Kozlowski, de 14 anos, e Zilda Leal, de 11, do Colégio PRW, em Petrópolis, que ganharam R$ 1,5 mil, um curso de criação de projetos com IA, uma mentoria de carreira e a oportunidade de participar do Rio Innovation Week.

Alice atribui a vitória à “inovação e empatia” de sua proposta. “Sabemos muito bem o que os refugiados passam e reconhecemos isso”, disse, ao lado de Zilda, que destacou que o “aplicativo envolve psicólogos que ajudam esses refugiados a viverem melhor no Brasil”.

Foram apresentadas soluções – aplicativos, jogos, assistentes de IA, sistemas integrados – voltadas para imigrantes, refugiados, meio ambiente, educação e direitos das mulheres e de pessoas com deficiência. Após a exposição de cada proposta, os jurados se dirigiram aos alunos com comentários, sugestões e dicas.

“O que me atrai aqui é a capacidade de a gente estar formando a nova geração de líderes que vão poder conduzir o Brasil e quem sabe o mundo”, destaca o jurado Helder Alves. O comentarista da CNN Gilvan Bueno, um dos painelistas do evento, concorda: “Eu vejo sim os projetos chegando na economia real […] O Trilhar é isso, o Trilhar está no chão de fábrica construindo um futuro melhor.”

Meio ambiente e saúde da mulher em foco

O 2º e o 3º lugar da premiação ficaram com alunos do Ensino Fundamental da Faetec de Marechal Hermes. “A gente tem muito orgulho da trajetória dos nossos alunos”, disse a diretora pedagógica da rede Faetec, Márcia Farinazzo. “É gratificante por saber que a gente está no caminho certo. Que esses alunos vão chegar no técnico com mais bagagem, vão aproveitar mais. Vão seguir uma direção porque eles já estão trilhando esse caminho”, acrescentou.

Uma das criadoras do Eco Soluções, o 2º lugar, explica que sua equipe quer conscientizar a população brasileira e reduzir a poluição. No aplicativo idealizado, é possível “acumular pontos e trocar por produtos reciclados” e também “mapear onde [o usuário] quer levar seus resíduos e trocar por pontos”, indicou Thaiza Vitória, de 15 anos.

O 3º lugar, por sua vez, é o Lunnar, concebido por quatro alunos para dar suporte à saúde de mulheres cis e trans. Trata-se de um aplicativo que reuniria serviços de saúde, orientações sobre o SUS, um chatbot educativo e ferramentas de segurança como botão de pânico e cofre de provas.

O Trilhar foi selecionado pela Unesco entre 8 mil projetos em todo o mundo. Fábio Eon, coordenador do programa de Ciências Humanas e Sociais da Unesco no Brasil, saudou o programa: “A Unesco tem muito orgulho. É um pouco nossa missão como agência da ONU que promove a juventude, a educação, a tecnologia, para que a gente, nos nossos 193 países-membros, possa aprender com boas práticas”.

Divulgação científica

O público desta quinta-feira também assistiu a dois painéis. Na mesa intitulada “Como engajar, educar e gerar impacto na era da atenção”, o humorista Hélio de la Peña, a criadora de conteúdo Eduarda “Biologueirinha” e Gilvan Bueno discutiram os recursos para atrair o público, como construir credibilidade e o desafio de incentivar o senso crítico da audiência.

“O tipo de humor que eu costumo praticar de certa forma depende de algum nível de informação, então acho que isso acaba instigando o jovem. Acho que o cara pode buscar a informação a partir dessa curiosidade”, comentou Hélio de la Peña.

Biologueirinha apontou a importância de tornar os temas do seu nicho, a ciência, mais acessíveis ao espectador. “Minha ideia é todo mundo entender. Eu me pergunto: minha avó iria entender isso? Uma criança pequena iria?”, disse.

No painel “Da escola ao mundo real: como transformar aprendizado em soluções”, Átila Iamarino se juntou ao professor e youtuber Gustavo Guanabara para destrinchar os desafios da nova geração na educação, no caminho para a vida profissional e na execução de suas ideias.

Átila lembrou sua experiência ao viralizar com seu conteúdo na pandemia de covid-19. “O Brasil parou e fechou tudo. Fazer live, abrir YouTube, falar de pandemia, explicar covid… Isso tudo aconteceu após escola, após educação. Mas foi ter uma educação sólida e me preparar que me deixou entender o problema e poder agir a respeito disso”, esclareceu aos estudantes presentes.

O uso responsável da inteligência artificial (IA) foi um ponto de destaque para os palestrantes. “A gente está vivendo um mundo em que a gente tem cada vez mais tecnologias feitas para conforto ou pra tomar nosso lugar e fazer por nós. O que pode ser fantástico quando você já desenvolveu aquelas habilidades. Mas para desenvolver as habilidades, […] é praticando, é estudando, é testando ideias”, afirmou Átila.

Guanabara acha essencial que os jovens entendam “que se você botar a IA para trabalhar, você não está aprendendo”. “Ela é que ganha os méritos, ganha o conhecimento. O dinheiro pode ser até que você ganhe, mas amanhã vai te faltar esse conhecimento que a IA usou pra fazer suas coisas. Como educador eu me preocupo muito com isso”, disse.

Outros projetos reconhecidos

Além dos três primeiros lugares da premiação, foram reconhecidos também sete projetos apresentados pelos alunos em categorias temáticas:

“Maior Impacto”: Guardiões do Ambiente, do Instituto Rogerio Steinberg (IRS)

“Mais Inovador”: Acolhe Brasil, do CIEP Cecília Meireles (Petrópolis)

“Mais Criativo”: Nova Jornada, do CIEP Cecília Meireles (Petrópolis)

“Melhor Solução Tecnológica”: Warnity, da Faetec Quintino

“Mais Viável”: Refúgio App, do Pensi Petrópolis

“Maior Potencial de Escala”: Open World, da Escola Nossa Senhora de Fátima de Três Rios

“Melhor Apresentação (Pitch)”: Chave da Autonomia, do Cefet Campus Petrópolis

O “Trilhar Maker Labs: Pitch for Peace” contou ainda com uma apresentação de abertura pela Orquestra Maré do Amanhã, que ensina música clássica a crianças e adolescentes e já atendeu milhares de alunos da rede pública do Rio de Janeiro.

Realizado pelo Trilhar e o Instituto Instituto Nacional de Oportunidades (Inova), o evento recebeu o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da multinacional chinesa Kingold.

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