Violência Contra Mulheres. Foto/Divulgação/Reprodução
Segundo município mais populoso do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo participa das mobilizações que marcam os 20 anos da Lei Maria da Penha e reforçam a importância das redes de proteção às mulheres São Gonçalo participa, neste mês, das mobilizações do Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres.
A iniciativa ocorre no mês que marca a sanção da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que completou 20 anos em agosto de 2026 e se consolidou como um dos principais instrumentos legais brasileiros de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.
Com população estimada em 960.196 habitantes, São Gonçalo é o segundo município mais populoso do Estado do Rio de Janeiro, atrás apenas da capital, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referente a 2025. A dimensão populacional do município reforça a importância de políticas públicas permanentes de prevenção, acolhimento e proteção às mulheres.
A violência contra a mulher pode assumir diferentes formas e não se limita às agressões físicas. A legislação brasileira prevê mecanismos de prevenção e proteção diante de situações de violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
Durante o Agosto Lilás, ações de conscientização buscam ampliar o acesso da população a informações sobre prevenção, identificação das diferentes formas de violência, direitos das mulheres e canais disponíveis para atendimento e denúncia.
Desigualdades também afetam a autonomia das mulheres
O enfrentamento à violência de gênero também passa pelas condições sociais e econômicas que permitem às mulheres construir autonomia e romper situações de vulnerabilidade.
Educação, renda, acesso ao mercado de trabalho e divisão das responsabilidades de cuidado estão entre os fatores que interferem diretamente nessa autonomia.
Dados do IBGE mostram que essas desigualdades começam ainda na juventude. Em 2024, entre as mulheres de 15 a 29 anos que haviam interrompido os estudos antes de concluir o ensino médio, 38,2% apontaram a gravidez ou a necessidade de realizar afazeres domésticos e atividades de cuidado como motivos para deixar a escola.
O indicador mostra como responsabilidades relacionadas à maternidade e ao trabalho de cuidado continuam afetando de maneira desigual as trajetórias educacionais femininas. A permanência na escola e a inserção no mercado de trabalho são importantes não apenas para a geração de renda, mas também para ampliar as possibilidades de autonomia econômica.
Rede de proteção é parte do enfrentamento
Além das campanhas de conscientização, o combate à violência depende da existência de políticas públicas permanentes de prevenção, acolhimento e proteção.
No Estado do Rio, uma dessas iniciativas funciona dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Criada em 2023, a Sala Lilás é um espaço de acolhimento humanizado para mulheres em situação de violência e oferece atendimento psicológico e jurídico especializado.
O espaço foi idealizado pela deputada estadual Renata Souza (PSOL) e está vinculado à Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alerj, presidida pela parlamentar. Desde sua criação, a Sala Lilás já realizou mais de 700 atendimentos, que resultaram em aproximadamente 2,8 mil acompanhamentos, encaminhamentos e outras ações de suporte às mulheres atendidas, segundo dados divulgados em julho de 2026.
Os primeiros dados divulgados sobre o perfil das mulheres atendidas também evidenciaram a presença da desigualdade racial. Nos primeiros 100 dias de funcionamento, quando 72 mulheres haviam sido acolhidas, 56,1% eram pretas e 19,5% pardas, de acordo com a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
Para Renata Souza, a continuidade do serviço é uma forma de oferecer às vítimas instrumentos para romper situações de abuso.
“Atendemos e fazemos o acompanhamento de mulheres extremamente vulneráveis. Elas encontram acolhimento e atendimento especializado para saírem das armadilhas do ciclo de violência que as aprisiona em relacionamentos abusivos e tóxicos”, afirma a deputada.
Em julho de 2026, uma decisão judicial reconduziu Renata Souza à presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, após uma mudança na composição do colegiado. Com a decisão, os trabalhos da Sala Lilás vinculados à comissão foram retomados.
Informação e acolhimento
A existência de espaços especializados integra uma política mais ampla de enfrentamento à violência de gênero. O atendimento multidisciplinar busca garantir acolhimento, privacidade e encaminhamento adequado das vítimas para serviços de saúde, assistência social, segurança e Justiça.
Em São Gonçalo, assim como nos demais municípios fluminenses, o enfrentamento à violência contra as mulheres depende da articulação entre prevenção, informação, atendimento especializado e funcionamento permanente das redes de proteção.
A divulgação desses serviços durante campanhas como o Agosto Lilás contribui para que vítimas, familiares e pessoas próximas reconheçam situações de violência e saibam onde buscar ajuda. O enfrentamento, no entanto, não se restringe ao período da campanha e exige políticas permanentes de segurança, proteção, acesso a direitos e autonomia econômica.
Em situações de violência, denúncias e orientações podem ser feitas pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. Em casos de violência em andamento ou outras situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES CRESCE EM SÃO GONÇALO
São Gonçalo é, nos dias de hoje, a segunda maior cidade em população, no Estado do Rio de Janeiro. Chama muito a atenção, porque recentemente registra desafios contínuos com índices elevados de violência urbana e doméstica. Na cidade acontecem frequentemente várias ações, e campanhas de conscientização, com a finalidade de alertar quanto ao crescimento do feminicídio. Outra triste realidade é que a cidade apresenta percentuais de jovens mulheres fora da escola, e do mercado de trabalho, bem acima das médias estadual e nacional. Esse dado serve como linha de base para o monitoramento da juventude feminina no município. Muitas são de baixa renda, e engravidam cedo sofrendo descriminação e violência.
Este mês, em especial, acontece o Agosto Lilás, que é uma campanha nacional de conscientização e mobilização pelo fim da violência contra a mulher. Foi instituída em referência ao mês de sanção da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Hoje a cidade de São Gonçalo, conta com apoio da Patrulha Maria da Penha, da Guarda Municipal, que distribuem para população panfletos com informações dos serviços de proteção. A campanha é um chamado à responsabilidade coletiva para refletir e agir. O enfrentamento à violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade. Tem o compromisso de fortalecer as políticas públicas, ampliar o acesso à informação e garantir que cada mulher saiba que não está sozinha e que existe uma rede preparada para acolher e protegê-la. A campanha também chama a atenção de toda a população gonçalense para participar das mobilizações, para construção de uma cidade mais segura, justa e igualitária para todas as mulheres.
** Este conteúdo foi produzido com apoio do Programa Orire de Apoio às Mídias Independentes 2026, iniciativa do Instituto Orire voltada ao fortalecimento do jornalismo independente e da produção de informação de interesse público.
