O Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose é celebrado em 16 de setembro. Foto/Divulgação: Canva
Lei 15.448, sancionada em junho, reforça a adoção de medidas de prevenção do tromboembolismo venoso durante internações em hospitais e unidades de saúde
Os riscos de evolução da trombose para complicações potencialmente fatais, como a embolia pulmonar, ganham destaque no Dia Nacional de Combate e Prevenção da doença, celebrado em 16 de setembro. Nesse contexto, a prevenção ganha ainda mais importância com a Lei 15.448, sancionada em 30 de junho, que reforça a prevenção do tromboembolismo venoso em hospitais públicos e privados e em unidades de saúde com serviços de internação.
“A complicação que mais gera preocupação é a embolia pulmonar, consequência de um coágulo que geralmente se desprende das pernas e chega aos pulmões”, alerta o médico Pedro Jardim, hematologista do Hospital Universitário dos Servidores do Estado (HUSE-Unirio), gerido pela HU Brasil. “Nos casos mais graves, pode comprometer rapidamente o funcionamento dos pulmões e do coração, colocando a vida do paciente em risco”, acrescenta.
No HUSE-Unirio, o ambulatório de hematologia realiza o acompanhamento periódico de pacientes com distúrbios de coagulação. Segundo o médico, os pacientes internados são avaliados para verificar a necessidade de tromboprofilaxia. “Em geral, são utilizados escores preditivos, nos quais são ponderados os riscos e benefícios da anticoagulação preventiva”, detalha.
Dependendo da doença de base, esses pacientes também podem ser acompanhados pela reumatologia, clínica médica, cardiologia ou outras especialidades. “Temos muitos pacientes com comorbidades que, a partir do evento trombótico, tiveram doenças autoimunes e neoplasias diagnosticadas, desde linfomas até doenças mieloproliferativas crônicas. A maioria evolui muito bem quando mantém o tratamento e o acompanhamento adequados”, relata.
De maneira descomplicada, a trombose é a formação de um coágulo dentro de um vaso sanguíneo, dificultando ou impedindo a passagem do sangue por uma veia ou artéria. Entre as formas mais comuns estão a trombose venosa profunda, que geralmente acomete os membros inferiores, o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular encefálico, que afetam, respectivamente, as artérias coronárias e cerebrais.
O especialista ressalta que a trombose geralmente não tem uma causa única. Entre os principais fatores de risco estão idade, obesidade, tabagismo, cirurgias de grande porte, internações, infecções, câncer, gestação, puerpério e uso de hormônios.
Em relação aos sintomas, o médico destaca que é importante observar a combinação de sinais de alerta. “Um edema súbito em um membro, acompanhado de dor, calor, alteração da coloração da pele ou falta de ar, deve levar à busca por atendimento médico ou a uma emergência, onde o paciente poderá ter acesso aos exames diagnósticos e ao tratamento adequado”, orienta.
Por outro lado, alguns sinais podem gerar dúvidas. A presença de varizes, por exemplo, não indica necessariamente risco de desenvolver trombose, embora represente uma alteração da circulação venosa e possa estar associada ao aumento desse risco, principalmente quando há outros fatores. “Na dúvida, a avaliação médica é indispensável”, reforça.
Outro desafio é diferenciar uma dor ou um inchaço provocado por trombose de um problema muscular. “Nem sempre é possível fazer essa diferenciação apenas pelos sintomas. No entanto, a trombose venosa profunda costuma provocar dor em um membro associada a inchaço de um lado só, sensação de peso, aumento da temperatura ou mudança na coloração da pele”, esclarece.
Sobre a HU Brasil
O Huse-Unirio, resultado da fusão entre o Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE) e o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), integra a HU Brasil desde dezembro de 2025. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Fonte: Elisa Andrade
