A caminhada coloriu de rosa a orla de Icaraí

A caminhada coloriu de rosa a orla de Icaraí. Foto/Divulgação

Yoga na praia, jornada médica e Dia Pink fizeram também parte da campanha em alerta ao câncer de mama da PróOnco Mulher em parceria com a Oncomed

Eventos com influenciadores e profissionais de diversas áreas da saúde oncológica que resultaram em informações atualizadas sobre o câncer de mama, muita troca de experiência, dinâmicas, shows e uma série de outras atividades, literalmente, coloridas de rosa e repletas de interação e emoção marcaram, mais uma vez, o Outubro Rosa da PróOnco Mulher em parceria com a Oncomed. Em sua 10ª edição, a campanha começou com o aulão de yoga na praia da Boa Viagem, seguiu com a Jornada Médica de Mastologia no Hospital Icaraí, lotou o Reserva Cultural com o tradicional Nosso Dia Pink – teve até show do Buchecha – e terminou com uma roda de conversa sobre cuidados paliativos, tema que ainda desperta medo em muitos pacientes da doença que segue sendo a maior causa de morte de mulheres no Brasil. 

Rodrigo Souto participou da caminhada Outubro Rosa na orla de Icaraí. Foto/Divulgação

Aberta pelo mastologista e cirurgião oncológico Rodrigo Souto – diretor da PróOnco Mulher, diretor científico do Instituto Oncomed e um dos organizadores da campanha Outubro Rosa -, a roda de conversa reuniu cerca de 40 pacientes em tratamento ou já de alta, a maioria surpresa com as informações sobre cuidados paliativos. “Eu achava que só os pacientes terminais, sem esperança de vida, eram encaminhados para esse tratamento. Mas hoje aqui aprendi que cuidados paliativos é um cuidado direcionado, que permite minimizar no paciente os sintomas dos medicamentos para ter uma vida melhor”, disse Ana Paula Silva, que participou do evento realizado no último dia 29 na unidade São Francisco da Oncomed.

A roda de conversa foi conduzida pela geriatra Marcelle Xavier com a psicanalista Christiane Couri e o mastologista Rodrigo Souto. Foto/Divulgação

A roda de conversa seguiu com a geriatra Marcelle Xavier explicando que os cuidados paliativos permitem tratar pacientes além da rotina, ampliando os cuidados até com familiares. “Precisamos desmistificar que cuidados paliativos significa o fim da linha. Na verdade, é exatamente ao contrário. Com eles podemos controlar o sono, a falta de ar, a constipação, o cansaço e outros sintomas, dando qualidade de vida ao paciene. E mesmo nos casos que não há cura, conseguimos oferecer caminhos para se viver melhor por anos”, diz a geriatra, há 15 anos na equipe da Oncomed.

Reforçando a fala de Marcelle, Rodrigo Souto ressaltou que, mesmo quando não há tratamento para a cura, os cuidados paliativos contribuem para o bem-estar dos pacientes. “Hoje o câncer de mama se tornou uma doença crônica, com muitas pacientes convivendo com metástase óssea há 10, 15 e até 20 anos, como a influencer Jussara Supervivente, que sempre participa do Nosso Dia Pink no Outubro Rosa. Então, não devemos falar de finitude. Até porque, apesar do susto quando precisamos dizer que não haverá cura, contamos com o paliativo para que nossos pacientes vivam melhor”, diz o mastologista.

Também integrando a roda de conversa, a psicóloga e psicanalista Christiane Couri, coordenadora do Serviço de Psicologia da Oncomed, falou sobre os tabus em torno dos tratamentos oncológicos. “Temos pacientes que não conseguem sequer falar a palavra câncer, o mesmo acontecendo em relação aos cuidados paliativos, ainda considerados por muitos como fim da linha, quando eles trazem melhorias significativas para o dia a dia de pacientes e familiares”, destacou Christiane Couri.

Há mais de 35 anos atuando na oncologia e um dos precursores da implantação dos cuidados paliativos no Instituto Nacional de Câncer (Inca), Rodrigo Souto lembrou da importância da área e do quanto aprendeu com ela. 

“No começo passei três anos percorrendo bairros do Rio e de Niterói como paliativista do Inca fazendo curativos em pacientes pós-cirúrgicos e levando outros cuidados. E foi aí que vi um mundo bem diferente da cirurgia. Entendi as limitações dos pacientes diante dos duros desafios e aprendi a lidar com eles, a ouvir e falar sobre um diagnóstico, por exemplo. E hoje sei que conhecimento e sensibilidade são fatores fundamentais na condução dos casos e no tratamento em geral, e que cuidados paliativos não são para doentes terminais, e sim para proporcionar qualidade de vida. Daí a importância de percebemos o quanto antes se e quando um paciente precisa desses cuidados”, destacou o mastologista.

Acompanhando o encontro da plateia, o oncologista Alexandre Coury, que fundou a Oncomed há 31 anos, ressaltou que o conceito de paliativismo é uma pauta nova na sociedade, não mais tratado como o fim de vida.

“E fomos pioneiros em perceber e aplicar isso aqui na Oncomed, onde os cuidados paliativos fazem parte da rotina do dia a dia da nossa equipe multidisciplinar, com profissionais de diversas áreas da saúde especializados em oncologia e prontos para acolher, orientar e cuidar de pacientes e também de familiares. Reforçamos a importância da comunicação, da fala que alivia, que mitiga em muito a jornada do paciente, e investimos em medidas terapêuticas em um processo de cumplicidade na relação médico-paciente, fundamental para o suporte ao longo dessa jornada”, concluiu o oncologista Alexandre Coury.

Em seguida, Christiane Couri detalhou a comunicação citada por Alexandre, explicando que ela começa com a escuta. “Vamos até onde o paciente pode ir para travarmos a parceria do viver, compreender e construir, e assim levar nossos pacientes a atravessar os seus medos, a se levantar, a se reinventar e dar a volta por cima. Não é fácil nem simples, mas temos toda uma estrutura de acolhimento e apoio para isso”, disse a coordenadora de psicologia.

Plateia interage – A exemplo de Ana Paula que passou por um câncer de mama e segue em acompanhamento no Inca, outras pacientes presentes ao encontro falaram de suas dúvidas e experiências após ouvirem as explicações durante a roda de conversa. Uma delas foi Concita Cordeiro, 75 anos, que também enfrentou o câncer de mama e se trata na Oncomed.

“Os desafios são grandes para vencermos essa doença. Mas entendendo os médicos como nosso porto seguro, seguindo direitinho o tratamento e tendo fé, tudo fica mais fácil. E mais: precisamos descobrir caminhos que nos deem alegria, vida, interação com outras pessoas. Como aqui nesse evento, onde vemos que não somos as únicas a passar pela doença e que não estamos sozinhas”, disse Concita, que integra um grupo de coral musical com ensaios semanais e apresentações públicas, e é também poetisa. Tanto que coube a ela encerrar o evento com um texto de sua autoria sobre a importância da fé, da interação e da vontade de viver. 

Caminhada na praia – Além dos quatro grandes eventos da campanha do Outubro Rosa, a PróOnco e a Oncomed apoiaram a caminhada do Movimento Outubro Rosa realizada no último sábado, 31, por toda a orla de Icaraí. O mastologista Rodrigo Souto encerrou o evento alertando para a necessidade dos exames preventivos, de exercícios físicos e cuidados com a alimentação como forma de prevenir o câncer de mama que continua com números cada vez mais alarmantes.

“Imaginem o Maracanã superlotado, com 78 mil pessoas. Esta é a estimativa de novos casos de câncer de mama para esse ano de 2026 só no Brasil, com 22 mil mortes. Precisamos cada vez mais falar na doença e trabalhar por sua prevenção, pois o diagnóstico precoce permite a cura de até 95% dos casos”, disse Rodrigo Souto.

Fonte: Jeline Rocha 

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