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Uma iniciativa voltada à recuperação do manguezal e à ampliação do estoque de Carbono Azul começou a ser desenvolvida, nesta quarta-feira (5), na Comunidade do Gato, no bairro Gradim, em São Gonçalo. O projeto pretende unir conservação ambiental, biotecnologia, participação dos moradores e desenvolvimento econômico sustentável em uma área considerada estratégica para a biodiversidade costeira.

A primeira etapa do trabalho foi uma visita técnica ao território para avaliar as condições ambientais do manguezal, identificar os principais desafios da região e iniciar o diálogo com a comunidade. A atividade foi conduzida pelo fundador da Viva Mangue Biotec, Alfeu Barreto, e marca o início da elaboração de um plano de regeneração para a área.
A proposta prevê a participação de empresas, pesquisadores, instituições e organizações parceiras, com o objetivo de formar uma rede de cooperação voltada à recuperação ambiental e à valorização da chamada Economia Azul — modelo que busca promover atividades econômicas associadas ao uso sustentável dos recursos marinhos e costeiros.

Mesmo diante das dificuldades de acesso e dos problemas enfrentados pela Comunidade do Gato, os responsáveis pela iniciativa destacaram a receptividade encontrada entre os moradores. A participação da população local deverá ocupar papel central no projeto, principalmente porque parte das famílias mantém relação direta com o ambiente costeiro por meio da pesca e de outras atividades relacionadas aos recursos naturais da região.
Considerados importantes aliados no enfrentamento às mudanças climáticas, os manguezais estão entre os ecossistemas com maior capacidade de capturar e armazenar carbono. Esse estoque, conhecido como Carbono Azul, permanece concentrado na vegetação e nos sedimentos de ambientes costeiros, contribuindo para a redução de gases de efeito estufa na atmosfera.
Além da função climática, a preservação dos manguezais é fundamental para a proteção da biodiversidade, contenção de impactos em áreas costeiras e manutenção de locais utilizados para alimentação e reprodução por diferentes espécies. A recuperação desses ambientes também pode contribuir diretamente para a atividade pesqueira e para a geração de renda de comunidades que dependem dos recursos naturais.
Entre as ações consideradas para as próximas etapas estão o aumento da capacidade de captura de Carbono Azul, o monitoramento das áreas recuperadas, iniciativas de educação ambiental e a criação de mecanismos relacionados à compensação de emissões. O projeto também pretende buscar novas parcerias para ampliar o alcance das atividades.
Especializada em operações offshore e biotecnologia, a Viva Mangue Biotec afirma que a iniciativa integra uma estratégia de aplicação de soluções tecnológicas na recuperação de territórios costeiros. A expectativa é que a experiência desenvolvida na Comunidade do Gato possa contribuir para a construção de um modelo que associe regeneração ambiental, inclusão social e desenvolvimento econômico.
A proposta também coloca São Gonçalo no debate sobre novas possibilidades relacionadas à Economia do Mar, especialmente em iniciativas capazes de aproximar conservação dos recursos naturais, inovação e geração de oportunidades para populações que vivem em áreas costeiras.
Fonte: Luana Souza – Ascom
