A artista Rennas Guimarães (foto) é a primeira artista visual a realizar uma ocupação expositiva aberta ao público na Sala Multiuso do CTA da Funarte. Foto/Divulgação: Rennas Guimarães
Artista visual Rennas Guimarães utiliza item incomum como matéria-prima em pinturas, instalações e experimentações com interação do público
Uma pesquisa que começa no chão e na observação sobre ele. O piso emborrachado industrial é usado como material de investigação na exposição-processo “Entre sistemas: o corpo em fuga”, da artista visual, pesquisadora e educadora Rennas Guimarães. A mostra individual fica em cartaz até o dia 30 de setembro, no Centro Técnico de Artes (CTA), da Funarte, no Centro do Rio, às segundas e sextas-feiras, das 10h às 16h; e de terça à quinta-feira, das 14h às 16h. A exposição tem entrada gratuita e classificação indicativa de 14 anos.
“Entre sistemas: o corpo em fuga” também integra a programação oficial da 1ª edição da Semana de Arte do Rio 2026, iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. O evento reúne festivais de diferentes linguagens artísticas, além de exposições, intervenções urbanas e atividades culturais, entre os dias 16 e 27 de setembro de 2026. Durante doze dias, espaços culturais, museus, centros culturais, teatros, galerias e equipamentos públicos e privados da região central recebem uma programação integrada que valoriza o patrimônio material e imaterial da cidade, estimula a circulação de artistas, de público variado, além de fortalecer a economia da cultura.
Ao ser contemplada no Programa Funarte Aberta 2026, Rennas tornou-se a primeira artista visual a realizar uma ocupação expositiva aberta ao público na Sala Multiuso do Centro Técnico de Artes (CTA) da Funarte. O encontro da artista com o piso emborrachado não aconteceu agora. Algumas dessas peças ficaram guardadas por muito tempo e o reencontro com elas teve um papel importante na retomada da pesquisa. Segundo ela, mais do que encerrar um ciclo, a ocupação na Funarte está produzindo subsídios para os próximos passos, ao ampliar a sua investigação sobre a matéria, a pintura, e a participação do público.
“Cheguei ao CTA com uma pesquisa que já investigava como os sistemas de organização, repetição e controle atravessavam silenciosamente a experiência humana. O chão era meu ponto de partida e o piso emborrachado, uma matéria que eu havia começado a investigar há cerca de vinte anos. Passei muito tempo acreditando que uma pesquisa acontecia entre o ateliê e a obra. Aqui, notei que algumas perguntas só aparecem quando o trabalho encontra outras pessoas. Não porque elas respondam à obra, mas porque passam a habitá-la ou são provocadas por ela.”
A exposição-processo “Entre sistemas: o corpo em fuga” conta com mais de 20 obras e desdobramentos, entre pinturas, objetos, trabalhos com piso emborrachado e instalações que ocupam o chão e as paredes. Algumas chegaram prontas ao espaço, outras surgiram ou se transformaram durante a própria ocupação. Em alguns momentos o visitante reconhece imediatamente o material porque ele pertence ao cotidiano, mas encontra esse mesmo material funcionando de outra maneira. Os desdobramentos Sistema de Jogos e Territórios aconteceram e ganharam força dentro da exposição-processo.
Em Sistema de Jogos, cada participante encontra o mesmo material e uma condição inicial. Faz escolhas sobre a pintura e depois pode reorganizar as peças. Alguns procuram alinhamentos e simetrias. Outros constroem percursos, agrupamentos ou interrupções. Muitas vezes, mesmo diante de uma proposta aberta, aparece novamente a tentativa de estabelecer alguma ordem. Em Território, o piso deixa de ser apenas superfície e passa a ocupar o espaço. A regularidade da matéria encontra a expansão da cor e o corpo precisa descobrir como se posicionar diante dela, contorná-la e atravessar visualmente aquilo que antes estaria simplesmente sob seus pés.
“Há trabalhos que falam de repetição, tensão, controle e ruptura. Outros começam a trazer transparência, leveza, cor, valor e deslocamento. Também existem obras em que a participação do público passa a fazer parte do próprio sistema criado. Meu interesse é interromper um pouco esse olhar automático que temos sobre coisas e estruturas que fazem parte da nossa vida o tempo inteiro”, explica Rennas Guimarães.
Como é uma exposição-processo, quem retorna ao espaço pode encontrar novas configurações e novos trabalhos. “Hoje compreendo a ocupação menos como um lugar onde coloquei uma pesquisa pronta e mais como um lugar onde ela continuou acontecendo. “É uma tela viva. Estou testando como diferentes materiais aderem, reagem e se transformam quando entram em contato com a borracha. Comecei a me interessar pela possibilidade de o tempo também participar da obra, seja por meio das camadas, alterações de superfície, tonalidades e marcas que possam surgir”, ressalta a artista.
Enquanto a pesquisa segue em desenvolvimento, os desdobramentos do trabalho geram resultados. A partir do dia 12 de setembro, a obra 6×1 passa a integrar a mostra coletiva “CORPO: onde a memória e os processos se inscrevem”, no Centro Cultural Memorial Getúlio Vargas, no bairro da Glória (RJ). A exposição coletiva também participa da programação oficial da 1ª edição da Semana de Arte do Rio 2026. Já a sua obra Não Pare foi selecionada para integrar a exposição coletiva “Olha o Chinelo! Poéticas da Chinelagem”, na Sala Saruê, em Porto Alegre (RS). Neste mês de setembro, uma obra de Rennas passa a fazer parte do acervo permanente da Pró-reitoria de Extensão Universitária e Cultura (PROEC), da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Conheça Rennas Guimarães
Artista visual, pesquisadora e educadora. Possui Licenciatura em Artes Visuais, pelo Centro Universitário Metodista Bennett (RJ) e MBA em Marketing, pela União Brasileira de Faculdades – UNIBF (RJ). A exposição-processo “Entre sistemas: o corpo em fuga” é fruto de sua pesquisa que investiga como os sistemas organizam silenciosamente a experiência humana por meio da matéria industrial. Atualmente, utiliza pisos emborrachados de circulação como principal campo de investigação, desenvolvendo pinturas, objetos e instalações que exploram as relações entre matéria, gesto, repetição, controle e experiência.
Ficha técnica
Concepção, pesquisa e criação artística: Rennas Guimarães | Assessoria de imprensa: Orbe Comunicação | Apoio: Programa Funarte Aberta 2026
Acompanhe
Rennas Guimarães: https://www.instagram.com/
Site: https://www.rennasguimaraes.
Serviço
Exposição-processo “Entre sistemas: o corpo em fuga”, de Rennas Guimarães
Visitação: até o dia 30 de setembro de 2026 (segunda a sexta-feira)
Horário: 10h às 16h (segunda e sexta-feira) | 14h às 16h (terça a quinta-feira)
Classificação indicativa: 14 anos
Entrada gratuita
Local: Centro Técnico de Artes (CTA) da Funarte / Sala Multiuso
Endereço: Rua do Lavradio, 54, Centro – Rio de Janeiro (RJ)
Fonte: Livia Gomes
