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Pesquisa aponta que jovens brasileiros estão mais preocupados com mudanças climáticas do que a média global; Como isso afeta a longevidade das empresas?
Cerca de 75% dos brasileiros entre 16 e 24 anos estão preocupados com as formas com que as mudanças climáticas podem afetar o futuro, é o que aponta a pesquisa “Futuro dos jovens no clima: preparando para um futuro sustentável”, realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em parceria à consultoria Capgemini em 2025. O levantamento realizado em 21 países ainda destaca que as médias brasileiras estão acima das globais. Com a nova geração de consumidores de olho no desenvolvimento sustentável, as empresas precisam encarar a sustentabilidade como estratégia, e não como custo.
Para Ycaro Martins, especialista em expansão e negócios de alta performance, CEO e fundador da Maxymus Expand, as empresas vivem uma transformação profunda impulsionada pelas novas gerações de consumidores. “O público jovem busca mais do que produtos: valoriza propósito, transparência, posicionamento e responsabilidade. Nesse cenário, marcas que incorporam a sustentabilidade em suas estratégias deixam de competir apenas por preço e passam a construir reputação, valor e longevidade no mercado, esse movimento abre espaço para empresas mais inovadoras e eficientes, capazes de unir rentabilidade, experiência do consumidor e práticas sustentáveis”, comenta.
O especialista afirma ainda que muitos empreendedores, por vezes, enxergam a sustentabilidade como custo, quando, na prática, ela representa redução de desperdícios, ganho de eficiência, fortalecimento de marca e novas oportunidades de negócios. “O ESG já deixou de ser tendência e passou a integrar a lógica das empresas de alta performance que desejam permanecer relevantes no futuro”, complementa.
Aos empresários que desejam conquistar, cada vez mais, as gerações mais conscientes, investir em práticas ESG, sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança, é sinônimo de estratégia e identidade, e não mais uma tendência. Desde salões de beleza até logística e investimento no agronegócio, saiba como essas marcas estão inovando dentro dos próprios segmentos para se destacar por meio do compromisso com a sustentabilidade:
Beleza consciente avança entre consumidores
Nesse cenário, algumas marcas já começam a despontar no mercado por causa dos compromissos ambientais, como é o caso da Bessie Beauty Club, rede de salões de beleza express, que desenvolveu uma linha própria de produtos capilares com fórmula 100% vegana e cruelty free, disponível no e-commerce próprio para todo o país. Para Bianca Drummond, sócia-fundadora e diretora de operações da empresa, o consumidor está cada vez mais atento à origem dos produtos e ao impacto das marcas no meio ambiente e na sociedade.
“Na Bessie Beauty Club, acreditamos que beleza e responsabilidade devem caminhar juntas. Desde o início, buscamos oferecer soluções acessíveis e práticas, sem abrir mão da qualidade e do respeito aos animais e ao meio ambiente. Mais do que uma tendência, sustentabilidade é um compromisso que faz parte da construção do futuro das empresas e da relação de confiança com os consumidores”, afirma Bianca.
Alta do plástico impulsiona soluções sustentáveis na logística
A tendência também deve afetar os novos negócios entre as empresas (B2B). Para Leandro Hiebl, CEO da AgilFix, pioneira na fabricação de cintas de amarração para transporte logístico reutilizáveis, solução que já impediu o uso de mais de 12 toneladas de plástico stretch em uma década, o investimento em soluções com menor impacto ambiental é uma transição necessária, tanto por uma exigência da nova geração quanto por uma questão de custo. Com o conflito no Estreito de Ormuz, o preço dos derivados de petróleo, como o plástico, chegaram a subir 60%.
Com isso, muitas empresas logísticas brasileiras sentiram o peso da dependência na matéria-prima e buscaram a solução sustentável para lidar com a situação. Além disso, a tendência é que as práticas ESG se consolidem como exigências para consolidar negociações e exportações. “Nesse sentido, toda a cadeia de empresas, serviços e indústrias que já fornecem soluções sustentáveis têm muito a contribuir porque nossas soluções miram o futuro”, avalia o CEO da AgilFix.
Agricultura regenerativa avança como oportunidade econômica
A sustentabilidade também começa a ganhar um novo peso estratégico dentro do agronegócio, especialmente quando associada à recuperação ambiental, produtividade e uso eficiente da terra. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mais da metade das pastagens brasileiras apresenta algum grau de degradação, grande parte com potencial de recuperação por meio de tecnologias já disponíveis. Nesse contexto, a Arara Seed, plataforma de investimento coletivo especializada em agro, food e climate techs, passou a olhar para a agricultura regenerativa como uma frente ligada à produtividade e ao financiamento sustentável no campo. “O Brasil já possui tecnologia e conhecimento para transformar áreas degradadas em sistemas produtivos de alto valor. O desafio agora é ampliar o acesso à capital para acelerar essa transformação”, afirma Henrique Galvani, CEO da empresa.
O tema também ganha relevância econômica. Estudo do Itaú BBA estima que o Brasil possui cerca de 28 milhões de hectares de áreas degradadas com potencial de conversão produtiva, o que poderia gerar até R$ 904 bilhões em valorização fundiária sem necessidade de abertura de novas áreas. Cenário que abre espaço para novos modelos de investimento ligados à recuperação de solos, agricultura de baixo carbono e eficiência produtiva. “Com o mercado cada vez mais atento à origem dos alimentos e ao impacto ambiental da produção, recuperar áreas degradadas deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a representar uma oportunidade econômica relevante para o agro”, ressalta Galvani.
Cosméticos veganos ganham força no mercado de bem-estar
Atenta ao crescimento da busca por produtos cruelty free, fórmulas naturais e hábitos de consumo mais sustentáveis, a Allright, marca brasileira voltada ao bem-estar e à longevidade feminina, desenvolveu uma linha de mousse de banho com fórmula 100% vegana e livre de parabenos e alumínio. O movimento acompanha o avanço global do setor, segundo levantamento da Mordor Intelligence divulgado em 2025, o mercado de cosméticos veganos deve atingir US$ 9,87 bilhões até 2030.
A linha foi desenvolvida para mulheres que enfrentam alterações na pele relacionadas ao envelhecimento e às mudanças hormonais da menopausa, reunindo ativos como ácido hialurônico, niacinamida e vitamina E para unir hidratação, cuidado diário e experiência sensorial durante o banho. “Criamos a Allright olhando para uma nova relação das mulheres com o autocuidado, unindo bem-estar, praticidade e fórmulas mais conscientes dentro da rotina. Hoje existe uma preocupação muito maior das consumidoras com a composição dos produtos e com o impacto no meio ambiente”, afirma Livia Remy, fundadora e CEO da marca.
Fonte: Christiane Alves – Markable
