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Foto/Divulgação: Octacílio Barbosa

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, em primeira discussão, a inclusão do nome de Edson Luís de Lima Souto no Livro dos Heróis e Heroínas do Estado, prevista no Projeto de Lei 606/2023, de autoria original da deputada Dani Monteiro (PSOL). O texto ainda precisa passar por uma segunda aprovação em plenário antes de ser enviado para sanção ou veto do governador Cláudio Castro.

Edson Luís foi um jovem estudante assassinado pela polícia durante a ditadura militar em 1968, tornando-se um símbolo histórico da resistência estudantil contra a repressão política. “Edson Luiz tomou um tiro no peito por lutar. Tomou um tiro no peito pela ditadura”, declarou a autora do projeto em plenário. “Quero referenciar o quanto que Edson foi um herói, pois lutava diretamente pela democracia, pela educação e pelo direito à alimentação, é uma parcela do que nos motiva a colocar, hoje, o seu nome no Livro de Heróis”, completou a parlamentar.

A homenagem foi discutida pelos deputados em plenário, dentre eles os decanos Carlos Minc (PSB) e Luiz Paulo (PSD), que presenciaram a manifestação em que o estudante foi morto. “Sou testemunha ocular da história deste assassinato praticado pela ditadura. Os estudantes pegaram o corpo dele e trouxeram para onde hoje é a Câmara Municipal e eu estava presente porque, na época, eu também fazia parte do movimento estudantil. Muitos foram os intelectuais que aderiram a esse projeto pelo assassinato de um jovem, mas muito jovem, estudante”, disse Luiz Paulo. “É hora de a gente resgatar esses heróis anônimos que lutaram pela democracia”, defendeu.

“Esse caso levou a uma expansão do movimento estudantil. Lembro que o pessoal gritava ‘mataram um estudante. E se fosse um filho seu?’. Isso pegou na classe média porque, de fato, ele não estava cometendo crime nenhum, dando tiro em ninguém. Ele estava almoçando em um restaurante”, contou Minc. “O Edson levou um tiro no peito e a polícia tentou tirar o corpo dele e levar embora para fazer a autópsia e esvaziar a manifestação. [Os médicos] Jamir Haddad e Luiz Tenório fizeram a autópsia no meio da manifestação para que ninguém levasse o corpo embora”, detalhou.

A Lei 8.439/19 incluiu no Calendário Oficial do Estado do Rio de Janeiro o dia 28 de março como “O Dia Estadual da Juventude em Defesa da Democracia”, em homenagem ao estudante.

Fonte: Alerj

 

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