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Tainah Caetano. Foto/Divulgação/Alerj

Este é o Mês do Aleitamento Materno, o “Agosto Dourado”. Na esteira da aprovação de uma série de leis pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), mães fluminenses contam como as normas de apoio à amamentação fazem a diferença no dia a dia. Mais do que incentivar, as medidas colocam a informação, a orientação e o acolhimento da mulher no centro da política pública.

Para várias mães, buscar ajuda profissional é justamente o que permite atravessar as dificuldades com mais segurança. Foi o que aconteceu com Tainah Caetano. Mãe de primeira viagem, ela decidiu procurar uma consultora de amamentação ainda durante a gravidez, por indicação da doula e da obstetra que a acompanhavam. A decisão, segundo Tainah, fez diferença quando os primeiros obstáculos apareceram.

Logo depois do parto, vieram as inseguranças comuns de quem está aprendendo, ao mesmo tempo, a cuidar de um bebê e a amamentá-lo. Ainda na maternidade, a consultora ajudou Tainah com a pega correta, ensinou técnicas de ordenha e explicou como armazenar o leite adequadamente.

O apoio acompanhou Tainah por diferentes fases da amamentação. Ao todo, ela amamentou a filha por dois anos e meio, período que guarda com orgulho, mas também reconhece como uma experiência que exigiu muito dela. “Mais do que orientações técnicas, recebi acolhimento em um momento de muitas mudanças, inseguranças e cobranças. Ter ao meu lado alguém com conhecimento, experiência e um olhar cuidadoso fez toda a diferença nesse período”, afirmou.

Informação antes mesmo do nascimento

Para a enfermeira obstétrica Paula Granucci, especialista em Saúde Materno Infantil e em Amamentação, a preparação para o aleitamento deve começar ainda durante a gestação. “As mulheres acham que a amamentação é extremamente natural, que o bebê vai nascer, a gente coloca no seio e a mágica vai acontecer. E não é bem assim que acontece”, explica.

Segundo a profissional, a orientação durante o pré-natal pode ajudar a mulher a entender o que esperar das primeiras semanas e a reconhecer quando uma dificuldade deixa de ser parte do processo de adaptação e precisa de avaliação profissional.

Da gestação ao pós-parto

Para Paula, entretanto, garantir a continuidade da amamentação exige olhar também para as condições sociais e profissionais enfrentadas pelas famílias. Ela destaca que a recomendação da Organização Mundial da Saúde é de aleitamento materno exclusivo até os seis meses e continuado até os dois anos ou mais, com a introdução da alimentação complementar a partir dos seis meses.

“Enquanto a política do nosso país não estiver ampliada para proteger o aleitamento materno, que é social e econômico, que protege essa família, nós não teremos grandes taxas de aleitamento materno”, afirmou a especialista.

A trajetória de Tainah mostra como esse suporte pode fazer diferença. Por trás de uma amamentação que durou dois anos e meio, houve dúvidas, dor, medo, desafios que voltaram a aparecer e a necessidade de buscar ajuda. “Posso dizer que devo muito às consultoras de amamentação por ter conseguido viver essa fase da forma que vivi”, afirmou Tainah.

Legislações aprovadas pela Alerj

Nesse contexto, duas leis aprovadas pela Alerj reforçam a importância de ampliar o acesso à informação desde a gestação e de garantir acolhimento quando surgirem dificuldades ao longo da amamentação. A Lei 11.212/26 criou o programa “Amamentação Humanizada” em maternidades, casas de parto e hospitais públicos, enquanto a Lei 11.172/26 autorizou a criação de salas de apoio ao aleitamento materno nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Mais do que incentivar a amamentação, as medidas colocam a informação, a orientação e o acolhimento da mulher no centro da política pública. A Lei 11.212/26 prevê, por exemplo, que gestantes e lactantes recebam orientações sobre o aleitamento e que as unidades de saúde ofereçam informações e técnicas para prevenir ou solucionar dores e outras dificuldades que possam levar à interrupção da amamentação. A norma também prevê orientação ainda durante o pré-natal e acompanhamento de mulheres que apresentem possíveis fatores de risco para a lactação.

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