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Foto: Divulgação

Por Yuri Griem

Além de acompanhar os jogos, a música ganhou espaço próprio na indústria dos games e abriu novas possibilidades para artistas, compositores e produtores

A indústria dos videogames deixou há muito tempo de ser apenas uma forma de entretenimento. Com um mercado que movimenta bilhões de dólares ao redor do mundo, os games passaram a ocupar espaço cada vez maior na cultura e no mercado do entretenimento. Dentro desse universo, a música também ganhou protagonismo, ajudando a construir ambientes, personagens e emoções e criando novas oportunidades para artistas.

Uma boa trilha sonora pode mudar completamente a experiência de quem está jogando. Músicas aceleradas podem aumentar a sensação de tensão durante uma batalha, enquanto melodias mais suaves podem acompanhar momentos de emoção ou descoberta. Em muitos jogos, a música também acompanha aquilo que acontece na tela, tornando o jogador mais envolvido com a história.

Foto: Divulgação

Diferentemente do cinema, onde o espectador acompanha uma narrativa de maneira passiva, nos games o jogador participa diretamente da história. Suas decisões interferem no que acontece e, em alguns títulos, a própria trilha sonora pode mudar de acordo com a situação. É o caso de jogos que aumentam a intensidade da música durante combates ou utilizam o silêncio para criar suspense. A música, nesse contexto, deixa de ser apenas um acompanhamento e passa a fazer parte da própria jogabilidade.

Algumas trilhas chegaram a ultrapassar os limites dos próprios jogos. The Last of Us, por exemplo, utiliza as composições do argentino Gustavo Santaolalla para reforçar a atmosfera de um mundo pós-apocalíptico e a relação entre seus personagens. Já Red Dead Redemption utiliza referências musicais do faroeste para criar a sensação de estar diante das paisagens do Velho Oeste. Em ambos os casos, a música ajuda a transformar o jogo em uma experiência que vai além da tela.

Foto: Divulgação

Mas essa relação também acontece no sentido contrário. Os games passaram a funcionar como plataformas para artistas divulgarem seus trabalhos e alcançarem novos públicos. Em 2020, o rapper Travis Scott realizou uma apresentação virtual dentro de Fortnite, reunindo milhões de jogadores. O rapper e produtor Dr. Dre também participou de GTA Online, com músicas inéditas e uma participação na história do jogo.

No Brasil, essa aproximação também já produziu grandes exemplos. Artistas como Emicida e Rael tiveram músicas incluídas na trilha de NBA 2K16. O DJ Alok se tornou personagem de Free Fire e participou de eventos relacionados ao jogo. Anitta também levou sua música para o universo do game em uma parceria com Free Fire, mostrando como os jogos podem funcionar como uma nova plataforma de conexão entre artistas e público.

Foto/Divulgação: Garena Free Fire

A expansão desse mercado abre espaço para diferentes profissionais da música. Compositores, produtores, músicos e profissionais de áudio podem trabalhar diretamente na criação de trilhas e efeitos sonoros, enquanto artistas já estabelecidos encontram nos games uma nova possibilidade de divulgação e relacionamento com seus fãs. Para marcas, a união entre música e videogames também representa uma oportunidade de criar experiências direcionadas a um público jovem e altamente conectado.

Com o crescimento dos games e das novas formas de interação digital, a tendência é que essa relação fique cada vez maior. O videogame já não é apenas um lugar para jogar: também pode ser palco, plataforma de descoberta musical e espaço para novas experiências de entretenimento. Entre personagens, histórias e mundos virtuais, existe uma indústria sonora que muitas vezes passa despercebida, mas que pode representar um mercado cada vez mais promissor para quem vive de música.

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