Nísia no debate MMSG

Foto/Divulgação

Roda de conversa destacou a importância do fortalecimento da rede de proteção, da prevenção às masculinidades tóxicas e da construção de políticas públicas para enfrentar a violência de gênero

Em celebração aos 20 anos da Lei Maria da Penha, o Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), por meio do projeto Rearticulando a Rede Mulher, promoveu, na quinta-feira (6), uma roda de conversa sobre os temas “Aperfeiçoamento da Lei Maria da Penha” e “Prevenção à masculinidade tóxica”. O encontro reuniu cerca de 50 participantes no auditório da instituição, no Zé Garoto, fortalecendo o debate sobre os avanços conquistados e os desafios ainda enfrentados no combate à violência contra as mulheres.

Compuseram a mesa de debates a gestora do MMSG, Marisa Chaves; a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade; a delegada titular da DEAM de São Gonçalo, Ana Carla Nepomuceno; e o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz e doutor em Serviço Social, Daniel Campos.

‘A Lei Maria da Penha mudou a forma do Brasil enfrentar a violência doméstica’

Durante a abertura, a gestora do MMSG, Marisa Chaves, destacou que os 20 anos da Lei Maria da Penha representam uma importante conquista das mulheres brasileiras, mas ressaltou que o enfrentamento à violência exige um compromisso permanente de toda a sociedade.

“A Lei Maria da Penha mudou a forma como o Brasil enfrenta a violência doméstica, mas ainda temos muitos desafios. Precisamos fortalecer a rede de proteção, ampliar as ações de prevenção e garantir que nenhuma mulher enfrente esse processo sozinha. É justamente essa articulação entre instituições, poder público e sociedade civil que o Movimento de Mulheres constrói há mais de três décadas”, ressaltou Marisa.

Fortalecimento das políticas públicas de prevenção

A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade destacou a trajetória do Movimento de Mulheres em São Gonçalo e defendeu o fortalecimento das políticas públicas de prevenção.

 

“Mesmo com os avanços proporcionados pela Lei Maria da Penha, ainda convivemos com números inaceitáveis de feminicídio. Precisamos fortalecer políticas públicas integradas, investir em educação e prevenção, porque muitas das transformações sociais surgem justamente dos movimentos da sociedade civil”, disse Trindade. “É uma alegria conhecer ainda mais de perto o trabalho desenvolvido pelo Movimento de Mulheres, uma instituição que há muitos anos atua em defesa dos direitos das mulheres”, acrescentou. 

‘Discutir masculinidades é fundamental para prevenir a violência’

Para o pesquisador e professor Daniel Campos, discutir masculinidades é fundamental para prevenir a violência antes que ela aconteça.

“Não basta atuar apenas quando a violência já ocorreu. Precisamos dialogar com os homens, desconstruir modelos de masculinidade baseados no machismo, enfrentar o racismo, o sexismo e outras formas de violência. O Movimento de Mulheres demonstra sensibilidade ao incluir esse debate, mostrando que a prevenção passa necessariamente pela construção de novas formas de convivência”, explicou Campos.   

‘A mulher precisa encontrar acolhimento em toda a rede de atendimento’

A delegada da DEAM de São Gonçalo, Ana Carla Nepomuceno, reforçou que denunciar é apenas o primeiro passo e que a mulher precisa encontrar acolhimento em toda a rede de atendimento.

“A mulher precisa ter coragem para romper o ciclo da violência, mas também precisa encontrar uma rede forte que a acolha durante todo o processo. É fundamental que as medidas protetivas sejam fiscalizadas, que haja respostas rápidas da Justiça e das forças de segurança e que continuemos investindo em prevenção. A violência contra a mulher é responsabilidade de toda a sociedade.”

Não se cale. Violência contra a mulher não tem desculpa, tem lei. Ligue 180 e denuncie!  Em caso de ajuda, o MMSG disponibiliza seus serviços, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17hs, no endereço abaixo:  

MMSG (SG) – Rua Rodrigues Fonseca, 201, Zé Garoto. (2606-5003/21 98464-2179)

Fonte: Charles Rodrigues

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