Foto/Divulgação: Legião de Jorge
Projeto criado por duas amigas cresce, amplia ações sociais e já atende dezenas de famílias com alimentação, doações e acolhimento
Criado em 2020, em meio ao cenário desafiador da pandemia, o Projeto Legião de Jorge surgiu a partir da iniciativa de duas amigas, Mel e Valeska, movidas por um propósito simples, mas poderoso: ajudar pessoas em situação de rua. O que começou com a produção de quentinhas e arrecadação de itens básicos rapidamente se transformou em uma grande rede de solidariedade.

Nos primeiros meses, as ações eram modestas, com a distribuição de 20 a 50 quentinhas, além de kits de higiene, roupas, calçados, frutas e cobertores. Com o apoio de voluntários e cozinhas solidárias, o projeto ganhou força — e hoje já ultrapassa a marca de 200 quentinhas distribuídas por ação, incluindo também ração para animais em situação de rua.

Apesar de ter nascido em Niterói, a Legião de Jorge expandiu sua atuação e estabeleceu uma sede em Itaipuaçu, em Maricá. Ainda assim, mantém viva sua origem, continuando com ações regulares nas ruas de Niterói e ampliando seu alcance para diferentes territórios.
Foi justamente no entorno da sede que o projeto identificou uma demanda urgente: a insegurança alimentar de famílias da região. A partir dessa realidade, passaram a organizar campanhas para montagem de cestas básicas. No entanto, o contato direto com os moradores revelou que as necessidades iam além da alimentação.

Com isso, o projeto ampliou sua atuação, passando a arrecadar também roupas, calçados, brinquedos, itens domésticos e produtos de higiene. Dessa escuta ativa nasceu o Mercadinho Solidário, iniciativa que hoje funciona junto ao Bazar da Legião de Jorge.
Atualmente, o mercadinho atende cerca de 50 famílias cadastradas, todas do entorno da sede, garantindo a cada uma o direito de retirar até 15 itens por mês. Já o bazar oferece roupas, calçados e itens de casa, cama, mesa e banho, todos provenientes de doações.
Outro destaque é a chamada “cão-munidade”, ação voltada para o acolhimento de cães em situação de rua, oferecendo abrigo e alimentação.

A atuação da Legião de Jorge também se estende ao apoio a outras instituições e iniciativas sociais em diferentes localidades. Entre elas estão a creche filantrópica Lar dos Pequeninos, em Itaipuaçu, e a creche comunitária Cantinho dos Anjos, em São Gonçalo, apadrinhada pelo projeto desde o início.
Além disso, a iniciativa funciona como uma ponte para diversas outras ações sociais, fortalecendo uma rede de apoio que inclui projetos como SOS Lixão de Itaoca, o bazar Me Chama Que Eu Vou, na comunidade do Salgueiro, o Projeto Por Gentileza, o Projeto Niara, no Morro do Martins, e o Espaço Cultural Catiane Magalhães, na Covanca, entre outros.

Mais do que assistência, a Legião de Jorge se define pelo acolhimento e pela partilha. Com uma atuação construída coletivamente — e liderada por mulheres — o projeto reforça que a solidariedade é, acima de tudo, um esforço conjunto.
Hoje, a Legião de Jorge não é apenas um projeto social, mas uma rede viva de apoio e transformação que alcança diferentes comunidades. Como dizem seus integrantes: não é feita por um, mas por muitos. É, de fato, uma grande legião.




Por Yuri Griem
