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O encontro aconteceu na Secretaria Municipal de Qualificação Profissional. Foto: Divulgação

Uma reunião entre a Secretaria Municipal de Qualificação Profissional, a Coordenação Geral de Políticas para Pessoas com Deficiência e o Centro de Surdos de Macaé (CESMA) trouxe à tona ideias para fortalecer a inclusão, ampliar oportunidades e construir políticas públicas que garantam mais acessibilidade e respeito à comunidade surda do município. Na ocasião, foram tratados os desafios que precisam ser superados em prol da qualificação profissional da comunidade surda.

Além da secretária de Qualificação Profissional, Rebeca Madureira, participaram da reunião a coordenadora de Políticas para PCD, Caroline Mizurine, o atleta com deficiência auditiva e representante do CESMA, Wellington Tavares e a servidora municipal, Fabiana Souza, que é mãe de surdos já adultos e bem ativa na comunidade. Na oportunidade, foram tratadas questões relacionadas à invisibilidade social, resultado da barreira comunicacional que a comunidade enfrenta diariamente.

A Secretária Rebeca ouviu as demandas e se comprometeu com a proposta. Uma dessas ações será a realização, em breve, de uma pesquisa de interesse junto à comunidade surda, para que os cursos oferecidos atendam a expectativa do público-alvo.

“Estamos trabalhando para que a qualificação profissional em Macaé seja para todos, sem exceção. Por isso, esse diálogo com a comunidade surda da nossa cidade foi fundamental para traçarmos caminhos que fortaleçam a inclusão, ampliem as oportunidades e viabilizem projetos que promovam acessibilidade, participação ativa e desenvolvimento profissional para essa comunidade”, explica Rebeca.

Para Caroline Mizurine, é função da coordenação o planejamento e acompanhamento das ações junto à Secretaria de Qualificação Profissional, para que estejam em consonância com a Lei Brasileira de Inclusão.

“Qualificar profissionalmente as pessoas com deficiência é uma prioridade para essa gestão, prioridade essa que contribuirá na construção de uma sociedade cada vez mais anticapacitista. A pesquisa proposta na reunião será realizada remotamente, com interpretação em Libras, garantindo a clareza na comunicação”, acrescenta.

Dificuldades profissionais

São muitas as barreiras e dificuldades profissionais enfrentadas por deficientes auditivos que sinalizam em Libras, segundo aponta Wellington. Segundo ele, muitas empresas priorizam a contratação de surdos oralizados, que realizam leitura labial, excluindo profissionais que se comunicam prioritariamente por Libras.

“Aliás, eu sinto que a maioria não entende e não quer entender as nossas vidas. Eles precisam saber que são as mãos que falam através de Libras e os olhos que ouvem como se fosse os ouvidos. Nós, adultos, nos esforçamos muito nos estudos entre a escola e cursos, até mesmo na faculdade, mesmo assim somos negados por sermos sinalizadores em Libras. Muitas empresas não querem saber das leis dos PCDs, sejam surdos ou com outras deficiências”, observa.

Aos 30 anos, Wellington é beneficiário do projeto municipal Bolsa Atleta. Ele é jogador de futebol profissional pela CESMA, que é filiado à Federação Desportiva de Surdos do Estado do Rio de Janeiro (FDSERJ).

“Temos filhos, esposa, famílias para sustentar. E não temos culpa de sermos deficientes auditivos surdos. Somos capazes de fazer tudo, pois aprendemos através da educação e das nossas famílias”, acrescenta o jogador que foi campeão de futebol da FDSERJ em 2024; terceiro lugar do Campeonato de Futebol Brasileiro 2025 e vice-campeão de futebol de surdos da FDSERJ com CESMA.

Em busca de oportunidades

Muito atuante na comunidade surda, Fabiana de Souza conhece de perto essa realidade. Ela é mãe biológica de Dalbi Júnior de Souza Macedo e mãe de consideração de Wellington Tavares – com quem participou da reunião – ambos de 30 anos.

Quando Dalbi ainda era criança, Fabiana se especializou e se formou em professora para auxiliar o filho em relação à questão pedagógica, onde ainda há dificuldades pela falta de intérpretes em Libras em sala de aula. Desta forma, ela conseguiu auxiliá-lo na alfabetização e na inclusão social e profissional, à medida que ele crescia.

“Eu, enquanto mãe de surdos adultos, tenho essa preocupação em relação à qualificação deles. A comunidade surda, os PCDs adultos, possuem uma grande dificuldade em relação à qualificação. E essa oportunidade que o nosso município tem oferecido é de extrema relevância, pois alguns são marginalizados. Muitos saem da cidade para se qualificar em outros municípios. Nesta reunião falamos da importância de serem assistidos, de forma que a inclusão realmente seja aderida, inclusive para o público jovem-adulto”, conta.

Fabiana acrescenta que, na oportunidade, também foi falado sobre uma possível ampliação de cursos para este público que possui habilidades de extrema relevância.

“O Dalbi tem o sonho de fazer pintura industrial. Atualmente, ele trabalha na manutenção no colégio Castelo. Ele é alfabetizado, concluiu o ensino médio. Meu filho é filiado ao CESMA, onde conhecemos o Wellington, que se tornou meu filho de consideração”, explica Fabiana.

Ainda há um longo caminho a percorrer, mas os primeiros passos já foram dados e o município tem buscado oferecer opções e ações efetivas ao público PCD do município, o que reforça o compromisso em buscar uma qualificação profissional cada vez mais inclusiva e humana.

Fonte: www.macae.rj.gov.br

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