Clínica da Dor do HUPE_Uerjl_Fotos_RodrigoGorosito 2

Foto/Divulgação: Rodrigo Gorosito

Atendimento é feito por especialistas do Centro Multidisciplinar da Dor da Uerj, que disponibiliza 100 vagas mensais para novos pacientes  

O Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/Uerj), em Vila Isabel, oferece tratamento para quem sofre de dores crônicas provocadas por cefaleia, fibromialgia, reumatismo, artrite reumatoide e problemas na coluna lombar, entre outras causas. Pacientes com dor associada à depressão também fazem parte do público-alvo e recebem tratamento multidisciplinar. O atendimento é realizado por especialistas do Centro Multidisciplinar da Dor da Uerj (Clínica da Dor), que disponibiliza 100 vagas mensais para pessoas encaminhadas pelas Clínicas da Família e postos de saúde por meio do Sistema Nacional de Regulação (SISREG) e do Sistema Estadual de Regulação (SER). Após a regulação, os pacientes são recebidos no ambulatório da Clínica da Dor, que adota um modelo multidisciplinar. Entre janeiro e junho deste ano, o setor do HUPE recebeu 390 pacientes com quadro de dor crônica para primeiro atendimento.

 
Segundo o médico Nivaldo Ribeiro Villela, professor associado de Neurocirurgia e Dor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e coordenador do setor, 18 profissionais atuam em conjunto: oito médicos especialistas em dor, duas psicólogas, um psiquiatra, uma enfermeira, dois técnicos de enfermagem, dois fisioterapeutas e dois educadores físicos. Ele explica que a dor crônica é caracterizada pela persistência da dor por mais de três meses, podendo ou não haver lesão identificada. Nesse caso, ela deixa de ser um sintoma e passa a ser considerada uma doença.
Conforme o especialista, uma revisão sistemática realizada em 2023 indica que cerca de 35% da população adulta do país sofre de dor crônica. A prevalência aumenta entre os idosos, atingindo cerca de 50%. De acordo com o médico, outro estudo de 2026 mostra que 42% dos pacientes com dor crônica que não têm o quadro controlado sofrem de depressão, com reflexos na qualidade de vida, interferindo no sono e no humor.
Inicialmente, os pacientes são avaliados pela equipe de enfermagem e atendidos por uma assistente social. Depois, são encaminhados à equipe de médicos especialistas em dor para avaliação e proposta terapêutica, incluindo a indicação de tratamentos farmacológicos e não farmacológicos, entre os quais se destacam procedimentos minimamente invasivos, infusão de fármacos para controle da dor e da depressão e neuromodulação.
O centro possui uma sala de pequenos procedimentos, equipada para a realização de intervenções no tratamento da dor (infiltrações e bloqueios) e uma sala para a realização de estimulação magnética transcraniana, para o tratamento da dor e da depressão.
Autogerenciamento da dor

Outra etapa do tratamento consiste no autogerenciamento da dor, em que psicólogos, fisioterapeutas e educadores físicos orientam o paciente sobre como administrar seu quadro de dor.

A psicóloga Fernanda Pereira, professora da Faculdade de Medicina da Uerj, explica que as atividades ocorrem uma vez por semana e se estendem por sete semanas. São encontros de duas horas por cada sessão, sendo uma hora com a participação de uma psicóloga e  outra hora destinada a exercícios com um educador físico e um fisioterapeuta.
Os pacientes são divididos em grupos de dez pessoas que aprendem a gerenciar a dor crônica por meio de um modelo de terapia cognitivo-comportamental, com estratégias para controlar a ansiedade e técnicas de relaxamento muscular. Nos encontros, temas como a reestruturação do pensamento e a higiene do sono, além de outras práticas, ajudam a garantir uma noite bem dormida. Incorporar atividades prazerosas ao dia a dia também ajuda a superar a dor.
Gente que aprende a lidar com a dor

A manicure Rosimere Rodrigues de Araújo convivia há mais de 20 anos com dores intensas provocadas pela fibromialgia, a ponto de precisar parar de trabalhar. A melhora veio após iniciar o acompanhamento no HUPE. O mesmo ocorreu com a cozinheira Cátia Cilene Brasil Braz, que, após duas quedas, passou a depender de analgésicos que já não faziam efeito. Há dois meses em tratamento, ela já sente as mudanças na recuperação da qualidade de vida.
Segundo a psicóloga Fernanda Pereira, ao fim do ciclo de sete semanas, os participantes recebem vídeos com exercícios e temas abordados para dar continuidade às práticas em casa. Em seguida, retornam à Clínica da Dor para reavaliação médica e acompanhamento contínuo.

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