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Foto/Divulgação: Oseias Barbosa

Carnavalescosda Vila Isabel, eles apresentam a obra “Pierrô Apaixonado”, que participou dodesfile deste ano da escola


Até o dia 8 de julho, aCasa Brasil apresenta a exposição “Casa Fluminense”, com 97 obras de 60artistas de diferentes regiões do estado. Entre eles, está a dupla carioca GabrielHaddad e Leonardo Bora, que apresenta a obra “Pierrô Apaixonado”. A escultura integroua quarta alegoria do desfile deste ano do GRES Unidos de Vila Isabel, escola daqual são carnavalescos, com enredo em homenagem ao multiartista Heitor dosPrazeres. A exposição tem patrocínio da Petrobras, Ministério da Cultura eGoverno do Brasil.

Vencedores do prêmio PIPA2025, um dos mais importantes das artes visuais brasileiras, Haddad e Boraacreditam que não existem fronteiras entre as chamadas “artes carnavalescas” ea “arte contemporânea”. Prova disso são as diversas exposições, em importantesinstituições, que eles vêm participando nos últimos anos. A mostra na CasaBrasil é mais uma delas e acontece em meio aos preparativos do enredo para ocarnaval de 2027.

A obra apresentada naexposição integrava o carro alegórico chamado “O Bonde do Pierrô”, que expressavaas relações de Heitor dos Prazeres com os carnavais de rua da cidade do Rio deJaneiro. Haddad explica o conceito do carro:

“A marchinha “PierrôApaixonado” é a mais famosa composição musical de Heitor dos Prazeres,realizada em parceria com o amigo Noel Rosa, artista diretamente relacionado aobairro de Vila Isabel. No carro, viam-se as imagens de um enorme Pierrôabraçado a um bonde, meio de transporte fundamental para a compreensão dosprocessos de urbanização da cidade do Rio, no começo do século XX. A tradiçãode brincar o carnaval nos bondes era fascinante! A quadra da Vila Isabel,aliás, está situada em uma antiga estação de bondes, no Boulevard 28 deSetembro, então o símbolo do bonde possui uma conexão direta com a escola, paraalém dos carnavais de rua e das transformações da folia que passearam por ele.O Pierrô, esculpido por Alex Salvador, tem os traços de Heitor dos Prazeres,que encenou “Pierrô Apaixonado”, vestido como tal, no teatro do CopacabanaPalace, agora rebatizado Fernanda Montenegro. Parece que o desfile da Vila, queficou em terceiro lugar, na apuração da quarta-feira de cinzas, não terminou: umpedaço dele continua vivo, na exposição.”

Nesse sentido, a duplaentende que a transposição de parte de um carro alegórico para uma exposiçãoque conta com a participação de 60 artistas é algo muito interessante, uma vezque provoca estranhamentos e fricções. É o que explica Bora:

“Deslocada do contexto daavenida, do rito, da conexão com o samba de enredo, as fantasias e o entusiasmodos componentes, uma escultura de carro alegórico se transforma em outra coisa,podendo adquirir diversos novos significados. É sempre interessante perceber oestranhamento que isso provoca. São camadas de sentido sobrepostas. A escalamuda, o nosso olhar é desafiado. Heitor viveu muitas facetas da cidade do Riode Janeiro e a sua trajetória artística se funde com a história do samba. Elepintou pierrôs nas ruas, como a célebre visão dos foliões em frente aos Arcosda Lapa, e no interior de casas, algo que também retratamos no desfile. Então ébonito ver o “Pierrô Apaixonado” no interior da Casa Brasil, participando deuma exposição chamada Casa Fluminense.” – conclui o artista.

SOBRE OS ARTISTAS

Gabriel Haddad e LeonardoBora são multiartistas e professores brasileiros que encontram nas linguagensdas escolas de samba a sua principal encruzilhada criativa. Enquantocarnavalescos, desenvolveram narrativas escritas e visuais para agremiaçõescomo Mocidade Unida do Santa Marta, Acadêmicos do Sossego, Acadêmicos doCubango, Acadêmicos do Grande Rio e Unidos de Vila Isabel. Na Grande Rio,merece destaque o cortejo de 2022, “Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu”, campeãodo Grupo Especial carioca ao celebrar as potências de Exu. Misturando vozes ematerialidades, expuseram trabalhos em instituições como o Museu de Arte doRio, o CCBB-RJ, o Centre National du Costume (Moulins), o Grand Palais (Paris),o Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, o Museu Bispo do Rosário ArteContemporânea, o SESC Pinheiros, o Museu do Samba e o MUHCAB. Os enredos quedesfiam em palavras, fantasias e alegorias propõem reflexões acerca de temascomo religiosidade, fantasmagoria, metalinguagem e memória.

Serviço: Casa Fluminense”

De 9 de abril a 8 de julhode 2026

Terça a domingo, das 10hàs 17h

Rua Visconde de Itaboraí,78 – Centro, Rio de Janeiro

Entrada gratuita

Classificação livre

Patrocínio – Petrobras,Ministério da Cultura e Governo do Brasil


Fonte: Beatriz Caillaux

 

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