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Foto/Divulgação

Projeto reúne artistas, autores e empreendedores surdos com poesia em Libras, dança, literatura, atividades para crianças e feira cultural

O projeto Cultura Surda ocupa o Campo de São Bento, em Icaraí, neste sábado (26), com uma programação gratuita que apresenta ao público diferentes formas de criação artística e cultural da comunidade surda. Das 10h às 14h, o espaço recebe poesia produzida e apresentada em Libras, performances que transformam movimentos e expressões corporais em narrativa, dança contemporânea, literatura, atividades em Libras para crianças e uma feira com artistas e empreendedores surdos.

Promovido pela Secretaria Municipal das Culturas de Niterói (SMC), o encontro também é uma oportunidade para o público conhecer o que é a Cultura Surda. O conceito reúne manifestações, experiências e formas de produção cultural construídas pela comunidade surda, tendo a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a experiência visual, as identidades e as diferentes maneiras de perceber e se relacionar com o mundo como elementos importantes de sua expressão.

Para a secretária municipal das Culturas, Júlia Pacheco, a programação integra uma política permanente de ampliação da participação das pessoas com deficiência na vida cultural da cidade.

“A acessibilidade cultural precisa estar presente de forma permanente nas políticas públicas de cultura. Em Niterói, temos avançado para que as pessoas surdas não sejam apenas público das atividades culturais, mas estejam também como artistas, produtoras e protagonistas de suas próprias narrativas. A programação da Cultura Surda é uma demonstração desse compromisso e da importância de construirmos políticas culturais junto com a comunidade”, afirma Júlia Pacheco.

A poesia em Libras, por exemplo, não é simplesmente a tradução de um poema escrito para a língua de sinais. A criação acontece diretamente em Libras e utiliza mãos, corpo, expressões faciais, movimentos e espaço como recursos poéticos. Já a Poesia Visual Vernacular, conhecida como VV, constrói narrativas essencialmente visuais e corporais, explorando movimentos, formas, ritmos e expressões sem depender da palavra falada.

A iniciativa reconhece, assim, as pessoas surdas como artistas, escritoras, pesquisadoras, educadoras, produtoras e empreendedoras, responsáveis por uma produção cultural própria que integra a diversidade cultural de Niterói.

Poesia em Libras e criação visual – O encontro começa às 10h com o Slam de Poesia em Libras, apresentado e mediado por Juliana Rodrigues, com participação de Alef Felipe de Sousa, Weslei Rocha, Jullie Liza e Lúcio Macedo. No slam, a poesia ganha forma por meio da Libras e da expressão corporal, fazendo do próprio corpo parte da construção artística. 

Das 10h30 às 11h30, a programação segue com a Poesia Visual Vernacular (VV). Participam Lúcio Macedo; Juliana Rodrigues e Weslei Rocha, com “Natureza das Mãos”; Silas Queiroz; Alef Felipe de Sousa e Jullie Liza.

Dança que parte de outras formas de perceber o movimento – Ao meio-dia, a dança ocupa o Campo de São Bento com um aulão de dança contemporânea e composição coreográfica coletiva conduzido por Flávia Oliver, primeira mestra surda em Dança do Brasil, formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2024, e pioneira como primeira pessoa surda licenciada em dança no país.

A atividade propõe experimentar a dança a partir do corpo, da vibração e do movimento, considerando formas de percepção que não dependem da experiência sonora. A proposta é construir coletivamente possibilidades de expressão por meio da dança.

Literatura produzida pela comunidade surda – A literatura também terá espaço durante todo o encontro, apresentando ao público obras que abordam Libras, surdez, identidade, educação, emoções e experiências de pessoas surdas.

Entre os participantes está João Paulo Silva, pedagogo, arte-educador e mestre em Diversidade e Inclusão pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com o livro infantil “A Luva Mágica”.

Também participam as autoras surdas Luciane Rangel Rodrigues, pedagoga, doutora em Tecnologia, Ciências e Inclusão pela UFF e docente da UFRRJ; e Luciane Cruz Silveira, linguista, doutora em Linguística pela UERJ e professora de Libras do INES/DESU. Entre as obras apresentadas está “O Novo Caminho de Maura e Paulo”, sobre a amizade entre Maura, uma menina surda, e Paulo, um menino ouvinte que ainda não conhece Libras. A história acompanha o encontro entre os dois e a descoberta de novas possibilidades de comunicação.

Flávia Pascoal apresenta “A Boneca FLALIBRAS e o Mundo das Emoções”, obra que utiliza a literatura para trabalhar Libras, emoções, representatividade e direitos humanos.

Libras também é brincadeira – As crianças terão um espaço voltado à vivência da Libras, com atividades conduzidas pela professora Cristiane Alves Sant Anna. Brincadeiras, desenhos e outras experiências lúdicas serão utilizadas para aproximar crianças surdas e ouvintes da língua de sinais e estimular diferentes possibilidades de comunicação.

Feira reúne artistas e empreendedores surdos – Durante o evento, uma feira cultural reunirá aproximadamente 15 expositores da comunidade surda de Niterói, com artesanato, gastronomia, arte, produtos autorais e outras iniciativas. 

Além de apresentar essa produção ao público, o espaço dá visibilidade ao trabalho desenvolvido por pessoas surdas na cidade e mostra outra dimensão da Cultura Surda, relacionada também à criação, ao trabalho, à autonomia, à geração de renda e ao empreendedorismo.

Acessibilidade como política cultural permanente – A programação integra um conjunto de iniciativas desenvolvidas pela SMC para ampliar a acessibilidade cultural em Niterói. Entre elas está a Mediação Acessível em Libras no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC), realizada mensalmente.

Desde 2021, a Secretaria das Culturas também adota políticas afirmativas em seus editais culturais, com reserva de vagas para artistas e agentes culturais com deficiência. Os editais permitem ainda que os projetos selecionados incluam em seus orçamentos recursos destinados a medidas de acessibilidade, como Libras e audiodescrição.

A presença de intérpretes de Libras nos eventos institucionais da secretaria é outra ação permanente. A perspectiva é compreender a acessibilidade para além do acesso às atividades, criando condições para que pessoas com deficiência também possam produzir, trabalhar, criar e ocupar os diferentes espaços da cultura.

Construído com a participação da comunidade surda e a partir de suas próprias produções e narrativas, o encontro reconhece a Libras como língua e espaço de criação, identidade, expressão artística e produção de conhecimento, seguindo o princípio “Nada sobre nós, sem nós”.

SERVIÇO:

Cultura Surda – Niterói

Data: 26 de setembro (sábado)

Horário: 10h às 14h

Local: Campo de São Bento – Icaraí, Niterói

Realização: Secretaria Municipal das Culturas de Niterói, por meio da Diretoria de Acessibilidades Culturais

 

Programação:

10h às 14h – Feira Cultural e Feira Surda

Literatura, livros, arte, atividades em Libras e aproximadamente 15 expositores da comunidade surda de Niterói

10h às 10h30 – Slam de Poesia em Libras

Apresentação e mediação: Juliana Rodrigues

Participação: Alef Felipe de Sousa, Weslei Rocha, Jullie Liza e Lúcio Macedo

10h30 às 11h30 – Poesia Visual Vernacular (VV)

Apresentação e mediação: Juliana Rodrigues

Participação: Lúcio Macedo; Juliana Rodrigues e Weslei Rocha, com “Natureza das Mãos”; Silas Queiroz; Alef Felipe de Sousa e Jullie Liza

11h30 às 12h – Intervalo

12h – Dança Contemporânea

Aulão de dança contemporânea e composição coreográfica coletiva com Flávia Oliver

Recreação em Libras para crianças

Com Cristiane Alves Sant Anna

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