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Foto/Divulgação

Ser mesário costuma carregar um estigma, já que, para grande parte da população, é uma obrigação a ser evitada. Apesar da crença popular, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as Eleições de 2026 mostram outra realidade. No Rio de Janeiro, 78% dos 143.688 cidadãos convocados para a função se apresentaram como voluntários, um percentual bem acima da média nacional. O Rio divide a colocação com o estado do Paraná e fica atrás apenas do Distrito Federal, que tem 85% de voluntários entre seus mesários. No Brasil, 58% do total de 1.786.132 mesários optaram pela função.

Mesária desde os 18, a publicitária Helena Aldé, de 26 anos, se inscreveu como voluntária no dia seguinte ao seu aniversário, quando se tornou apta para o cargo em fevereiro de 2018, e desde então repete a função nas eleições. Os pais foram mesários por anos quando jovens, e o irmão mais novo seguiu o mesmo caminho assim que completou a maioridade. “Ser mesária, para mim, é fazer parte de um movimento nacional em prol de um Brasil melhor. É incrível pensar que existe um dia em que todo mundo no Brasil sai para votar ao mesmo tempo, isso dá uma dimensão da amplitude do país”, resume a jovem.

Legislação fortalece o voluntariado

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) criou a Lei 9.412/21, que fortalece esse cenário de alta adesão no Rio. A norma assegura isenção do pagamento da taxa de inscrição em concursos públicos para qualquer cargo da Administração Estadual direta ou indireta, além de fundações públicas e entidades mantidas pelo poder público estadual, a quem compuser mesa receptora de votos em seção eleitoral no Rio de Janeiro.

O benefício vale para concursos abertos nos dois anos seguintes à convocação para o serviço eleitoral. Para comprová-lo, é preciso apresentar, no ato da inscrição, um documento emitido pela Justiça Eleitoral com nome completo, função desempenhada, turno e data da eleição. A isenção não se aplica a concursos cujos editais já haviam sido publicados antes da entrada em vigor da lei.

Outros benefícios da função

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), além de prestar um serviço à democracia e ao país, o trabalho como mesário oferece outros benefícios. Os dias trabalhados podem ser contabilizados como horas complementares em cursos universitários. Além disso, em caso de empate em concurso público, o exercício da função pode ser utilizado como critério de desempate, desde que essa possibilidade esteja prevista no edital.

No dia da eleição, o mesário recebe ainda auxílio-alimentação de R$ 65 por turno trabalhado. Outro benefício é o direito a dois dias de folga para cada dia de serviço prestado à Justiça Eleitoral, além de outros dois pela conclusão do treinamento, sem desconto no salário. De acordo com o TRE-RJ, a utilização dessas folgas deve ser acordada com o empregador com quem o mesário mantinha vínculo à época da eleição.

Como se tornar mesário

Para atuar como mesário voluntário, é preciso ter mais de 18 anos e estar em situação regular com a Justiça Eleitoral. As inscrições começaram em julho e continuam abertas por meio do site do TRE-RJ.

As convocações para as eleições também já se iniciaram. Helena, no entanto, ainda não recebeu o comunicado, que pode ser enviado por mensagem pelo número oficial de WhatsApp do Tribunal Regional Eleitoral.

“Este ano ainda não me voluntariei, achei que pudesse ser convocada já que participo como mesária em todas as eleições, desde que tenho 18 anos, mas farei isso nos próximos dias. Com certeza, alguém que não se voluntariou vai ficar muito feliz ao receber a notícia de que não precisará mais ser mesário. Acho que estarei fazendo algo de bom tanto para mim, que quero exercer essa função, quanto para alguém que não quer”, antecipa a publicitária.

É importante destacar que, uma vez convocado, o eleitor é obrigado a comparecer aos trabalhos eleitorais, independentemente de ter visualizado ou não a mensagem de convocação. A dispensa só pode ocorrer mediante apresentação de justificativa, que deverá ser aceita por um juiz eleitoral.

Quem não pode ser mesário

Apesar de a função estar aberta a eleitores maiores de 18 anos, há algumas restrições. Não podem atuar como mesários candidatos e seus parentes, ainda que por afinidade, até o segundo grau, incluindo cônjuge, companheira ou companheiro.

Também estão impedidos integrantes de diretórios de partidos políticos ou federações que exerçam função executiva, autoridades públicas, agentes policiais e ocupantes de cargos de confiança do Poder Executivo.

O dia no trabalho

Nesta eleição, serão escolhidos representantes para a Presidência da República, o Senado, a Câmara dos Deputados, o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa. Com mais cargos em disputa do que nas eleições municipais, o tempo de votação na urna tende a ser maior, o que pode aumentar a movimentação e a formação de filas nas seções eleitorais.

Para Helena, esse cenário torna o trabalho dos mesários mais intenso e exige atenção redobrada, principalmente de quem ocupa a presidência da mesa. “É preciso ficar atento para que nenhum eleitor faça boca de urna, lidar com conflitos e, muitas vezes, acalmar os ânimos de quem vai votar contrariado ou de quem é muito fanático por algum candidato. São muitos processos que exigem atenção”, relata.

Helena explica ainda que, embora a votação esteja marcada para o domingo, 4 de outubro, o trabalho dos mesários começa antes, com atividades de preparação. “É cansativo, mas é um cansaço que compensa. É uma experiência única e nos faz sentir mais parte da nossa nação”, conclui a mesária.

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