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O tabagismo continua sendo uma das principais causas evitáveis de doenças e mortes no mundo. Em alusão ao Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste domingo (31/05), a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) reforça ações e iniciativas voltadas à conscientização sobre os riscos do cigarro tradicional e do cigarro eletrônico, além de medidas de prevenção para crianças e adolescentes.
Entre as normas já aprovadas pela Casa está a Lei nº 5.517/09, que proíbe o consumo de cigarros e outros produtos fumígenos em ambientes coletivos fechados no Estado do Rio de Janeiro. A medida, de autoria do Poder Executivo, cria os chamados “ambientes livres de tabaco”, buscando reduzir a exposição da população à fumaça e aos danos causados pelo fumo passivo.
A Alerj também analisa propostas voltadas ao enfrentamento do avanço dos cigarros eletrônicos, especialmente entre os jovens. É o caso do Projeto de Lei 892/2023, de autoria do deputado Danniel Librelon (REP), que cria uma campanha permanente de prevenção e conscientização sobre os riscos desse tipo de cigarro para crianças e adolescentes. Segundo o parlamentar, a proposta nasceu de uma preocupação dentro das escolas e em conversas com os pais.
“Os cigarros eletrônicos viraram um brinquedo para muita gente, mas especialmente entre os adolescentes. Eles acham que é inofensivo e descolado, mas sabemos que a nicotina vicia, prejudica o desenvolvimento do cérebro e afeta a saúde pulmonar. O PL é justamente para criarmos uma campanha permanente no estado, falar diretamente com esses jovens e dar ferramentas para que eles façam escolhas conscientes”, explica Librelon.
Riscos do tabagismo no organismo
A médica pneumologista do Departamento Médico da Alerj, Daniele Vasconcelos, alerta para os impactos do tabagismo em diferentes órgãos do corpo e para os perigos do uso dos chamados “vapes”. “O cigarro não faz mal somente ao pulmão, mas pode estar relacionado também à hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio, doenças cerebrovasculares e vasculares, entre outros. O cigarro não traz nada de bom”, afirma.
A especialista também destacou os riscos do cigarro eletrônico, que tem atraído principalmente o público jovem por conta dos sabores e aromas. “O cigarro eletrônico é a coisa mais absurda que a gente tem hoje em dia. Muitas pessoas acham que ele é inofensivo, mas a carga de substâncias inaladas pode ser extremamente alta. Ele provoca danos importantes ao pulmão e pode causar doenças graves, como a EVALI, uma doença pulmonar associada ao uso do cigarro eletrônico”, explica.
Daniele ainda ressalta a importância de buscar ajuda especializada para abandonar o vício: “Quanto antes você buscar atendimento, mais rápido consegue se ver livre disso”.
Ex-fumante relata cirurgia cardíaca após décadas de vício
O jornalista Leo Sales também compartilhou sua história de superação. Ele começou a fumar aos 13 anos e manteve o hábito por três décadas, até enfrentar graves problemas de saúde. “Começou com curiosidade e logo virou vício. A profissão de jornalista, os plantões e a tensão do dia a dia contribuíram muito para isso. O cigarro virou uma válvula de escape para o estresse”, conta.
Em 2022, Leo precisou ser internado às pressas após sentir uma forte falta de ar. Após exames e procedimentos, descobriu que enfrentava sérios problemas cardíacos agravados por anos de tabagismo e sedentarismo. Aos 44 anos, passou por uma cirurgia de peito aberto para realizar quatro pontes de safena. “Minha médica foi categórica: ‘se continuar fumando, você não terá outra chance’. Foi um choque de realidade”, relembra.
Após 22 dias internado, Leo iniciou um processo de reabilitação e abandonou definitivamente o cigarro. Hoje, quatro anos depois, afirma não sentir mais vontade de fumar. “Se pudesse voltar no tempo, faria de tudo para aquele garoto de 13 anos não fumar”, completa.
Segundo especialistas, além de aumentar o risco de câncer de pulmão, o tabagismo também está associado a doenças cardiovasculares, respiratórias e cerebrovasculares. A conscientização e a prevenção seguem sendo ferramentas fundamentais para reduzir os impactos do cigarro tradicional e eletrônico na saúde pública.
Texto: Larissa Bispo e Otávio Fonseca

