Foto/Divulgação: Octacílio Barbosa
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) homenageou no início da sessão, nesta quarta-feira (11/02), a ex-deputada Tânia Rodrigues, que faleceu pela manhã, aos 75 anos. Os deputados fizeram um minuto de silêncio e relembraram a trajetória da parlamentar, que fundou a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), e atuou na Casa em dois períodos distintos, entre 1995 e 2003 e nos anos de 2015 e 2016. A Casa também divulgou uma nota de pesar.
No primeiro mandato, Tânia foi autora de importantes leis voltadas à prevenção de deficiências, como a que tornou obrigatório o uso do cinto de segurança nos automóveis no Estado do Rio de Janeiro, quando ainda não havia regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito sobre o tema. Também presidiu e relatou importantes CPIs, como a que avaliou as condições dos bancos de sangue no estado e a comissão que analisou as condições dos abrigos para idosos.
A deputada Tia Ju (Republicanos) solicitou o minuto de silêncio e ressaltou o legado deixado por Tânia na defesa da acessibilidade, lembrando que foi ela quem atuou para ampliar as condições de acesso na própria sede do Parlamento. “A Tânia nos ensinou, neste Parlamento, o verdadeiro significado de sensibilidade e inclusão. Quando chegou à esta Casa, não havia sequer rampa ou banheiro acessível, e foi a partir da luta dessa mulher guerreira, cadeirante desde a infância, que a dignidade passou a fazer parte da estrutura e da consciência da Alerj. Fundadora da Andef, ela nos deixa saudade, mas um legado imenso para milhares de pessoas.”, afirmou.
Decanos da Assembleia, os deputados Luiz Paulo (PSD) e Carlos Minc (PSB) relembraram os trabalhos que fizeram juntos com Tânia Rodrigues e os projetos de lei apresentados pela parlamentar à época.
“Tive a honra de conviver e lutar ao lado da Tânia. Fizemos juntos o ‘Cumpra-se’ no metrô, levamos medalhistas paralímpicos para cobrar elevadores e rampas, e transformamos indignação em conquista. Foi dela a iniciativa do convênio que trouxe profissionais da Andef para esta Casa, um marco de inclusão que permanece até hoje. Tânia militou até o último dia, nunca se queixou, nunca recuou. Uma guerreira que nos deixa saudade, mas um exemplo permanente de coragem e compromisso.”, relembrou Minc.
Já o deputado Rafael Picciani (MDB), filho do ex-presidente da Alerj, Jorge Picciani, lembrou da época em que o pai trabalhou com Tânia Rodrigues e afirmou que essa foi uma perda incalculável para a política Fluminense. “É uma perda dura para o empoderamento feminino e para a afirmação de que a pessoa com deficiência pode e deve ocupar qualquer espaço. Em nome do meu mandato e da minha família, registro não apenas a solidariedade, mas o reconhecimento eterno dessa grande mulher. Hoje o Rio de Janeiro chora, mas o legado de Tânia permanecerá como inspiração permanente”, concluiu Rafael Picciani.
