felipe luis

Foto/Divulgação: Gilvan de Souza / Flamengo

Por: Pedro Henrique Lopes

 

Flamengo entra em crise após 2 títulos perdidos, mas, isso é apenas a ponta de um iceberg, há muito mais a se atentar

 

O Flamengo começou o ano de 2026 da pior forma possível para seu torcedor. O início da crise já dava seus sinais no final do apogeu de Filipe Luís, em 2025. Após inúmeras rodadas de negociações a renovação contratual do atual técnico do Flamengo enfrentava uma onda de desgastes internos, em função de discordâncias financeiras entre diretoria do Flamengo, Filipe e Jorge Mendes, agente do último. Desgastes esses que foram potencializados por parte da torcida, que viu na demora da renovação uma espécie de “ingratidão” por parte do treinador. Uma guerra de narrativas a partir daí se iniciou, com matérias remetendo culpa a diretoria – diziam a grosso modo que os caciques rubro-negros não estavam valorizando o treinador da forma devida – ou atribuindo culpabilidade ao Filipe, evocando tal ingratidão e, até mesmo a falta de senso de inserir Jorge Mendes na negociação, principalmente porque quando Filipe foi efetivado como treinador profissional a negociação se deu diretamente com o ele, sem intermediários.

 

Após a estreia da equipe profissional no campeonato carioca – que também foi episódio de desgaste interno, pois o futebol teria determinado que retornaria apenas contra o São Paulo, no campeonato brasileiro, mas foi obstaculizado pelo presidente do clube – Filipe Luís deixou claro seu descontentamento sobre como o processo de renovação foi conduzido. O técnico destacou: “Eu queria ficar e o Flamengo queria que eu ficasse. Pelo que entendi, a torcida também queria. Não somos pessoas fáceis. Eu não sou, o Bap não é, o Boto não é, e os empresários também não são. Isso leva tempo. Mas esse processo todo, saiu da linha. Eu realmente fiquei muito triste com o que escutei e li.”

 

Concomitantemente a isso, decisões questionáveis da diretoria, no que diz respeito a incoerência na aquisição de jogadores que, a priori não eram de posições prioritárias, com o próprio diretor de futebol José Boto declarando “O Presidente BAP costuma fazer uma analogia, eu saio para comprar uns sapatos e compro um relógio, um casaco, uma camisa e depois fico sem dinheiro para os sapatos, então eu venho de lá com coisas que já tenho e venho de lá sem a coisa que eu fui comprar.” Após essa fala, o Flamengo adquiriu Lucas Paquetá, um volante/meia, pela bolada de 42 milhões de euros. Apesar de necessidades no setor de meio-campo, a prioridade número 1 era a contratação de alguém para competir com Pedro, atacante que não atravessa boa fase no atual momento. Não fosse o bastante, a aquisição de Paquetá impossibilitou a chegada de um atacante, segundo palavras do próprio Boto; “Sabíamos que a contratação de um jogador desse tipo inviabilizaria uma ou duas contratações que nós tínhamos em mente.” O Flamengo saiu para comprar um sapato e acabou adquirindo uma bota? Fica a pergunta.

 

Outro fator que instigou ainda mais a crise foi a perda da supercopa do Brasil, para o Corinthians, e da recopa sul-americana, para o modesto Lanús, da Argentina. No entanto, os resultados negativos são apenas sintomas de um problema que já dava seus sinais ao final do ano de 2025. A ver agora, qual será a capacidade de Filipe Luís dar uma reviravolta e, a habilidade da diretoria – com início muito promissor – lidar com a crise deflagrada.

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