Foto/Divulgação: Vida Fodona
Primeiro espetáculo criado pela dupla propõe uma reflexão urgente sobre o tempo no mundo contemporâneo
Em um mundo marcado pelo imediatismo, pela desinformação, pela crise do clima e das emoções, o que estamos fazendo com o nosso tempo? Essa pergunta atravessa “Temporal”, espetáculo que estreia no Teatro Poeirinha, em Botafogo, de 5 de março a 26 de abril, quinta-feira a sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Dirigida por Marco André Nunes, com dramaturgia de Carolina Lavigne, direção musical de Federico Puppi, preparação de atores de Laura Araújo, direção de movimento de Toni Rodrigues, a peça é o primeiro projeto do encontro artístico de Giovanna Nader e Vino Fragoso.
A trama acompanha Hortência (Giovanna Nader), que retorna à cidade onde nasceu em busca de algo que ficou suspenso, e Hélio (Vino Fragoso), que nunca saiu dali. Dono de uma rádio local, ele construiu sua vida sobre a repetição, a rotina e o controle. Entre movimento e permanência, o casal revela modos distintos de existir. Esse embate ultrapassa o campo íntimo e se projeta sobre a cidade, que entra em estado de espera sob a iminência de um temporal. Em meio a notícias, tecnologias, ruídos e memórias, passado, presente e futuro se sobrepõem e os sistemas que sustentavam a ordem se deslocam. Nada permanece intacto: o casal, as horas, a cidade e os vínculos, tudo muda e tudo insiste em permanecer. Eles buscam a todo custo encontrar um equilíbrio em si e no tempo antes que seja tarde demais.
– Durante todo o processo de criação fomos intimados pelo tempo a habitar o presente. Pensar no tempo todos os dias, tem feito perceber melhor a vida, e se o público sair do teatro com essa sensação, nossa missão foi cumprida – explica Vino Fragoso.
Em “Temporal”, o público é conduzido a uma experiência retrofuturista de imersão sensorial e afetiva que convida à reflexão sobre a qualidade do tempo. Nessa primeira montagem da Cia do Agora, o azul ganha força ao preencher o cenário assinado por Vino Fragoso, com elementos clássicos e modernos em constante diálogo e potencializados pela iluminação de Renato Machado.
No centro do palco, o grito de alerta é o tiquetaquear de um relógio. O Relógio do Juízo Final, criado em 1947 por cientistas no início da Guerra Fria, tornou-se um símbolo do risco global. A meia-noite representa o colapso da humanidade diante de ameaças que ela própria produz. Em janeiro de 2026, ele foi ajustado para mais perto do que nunca desse limite. Agora marca 85 segundos para a meia-noite, indicando o quão próxima a humanidade está de um cenário de destruição global.
– O tempo é uma das maiores preocupações do nosso presente, talvez a maior. Falta tempo para a nossa vida, para a vida no nosso planeta ou para simplesmente viver. A angústia diante do tempo que nos resta desdobra-se em muitas outras. Parece urgente, ao menos, falar sobre isso – reflete Marco André Nunes.
Para a dramaturga Carolina Lavigne, falar sobre o tempo é falar da matéria do próprio teatro.
– O teatro só existe no instante em que acontece, no presente absoluto do encontro e esse instante me interessa. Em “Temporal”, o tempo torna-se também a própria temática da peça; colocá-lo em cena me permite fabular sobre ele, criar um presente atravessado por memórias e projeções, onde passado e futuro tensionam o agora. Essa investigação nasce de um desejo e agora me traz uma enorme satisfação – destaca a autora.
O que se vê e o que se ouve são entrelaçados para contar a história de um agora difícil de habitar e falar não só sobre a consciência do tempo, mas do respeito ao tempo. O tempo da natureza, o tempo da vida, o tempo da mulher, o tempo da criança, o tempo das coisas. O tempo mudou e qual é a nossa responsabilidade nisso tudo?
– Através do lúdico, a gente convida a uma reflexão sobre o tempo, talvez nossa maior riqueza em meio aos ritmos cada vez mais acelerados da vida contemporânea – conta Giovanna Nader.
Ficha técnica:
Idealização: CIA DO AGORA _ GIOVANNA NADER E VINO FRAGOSO
Direção: MARCO ANDRÉ NUNES
Texto: CAROLINA LAVIGNE
Elenco: GIOVANNA NADER E VINO FRAGOSO
Participação Especial: MARIA ESMERALDA FORTES
Direção Musical: FEDERICO PUPPI
Direção de Movimento: TONI RODRIGUES
Cenografia: VINO FRAGOSO
Desenho de Luz: RENATO MACHADO
Figurino: GIOVANNA NADER E VINO FRAGOSO
Preparação de Elenco e Direção Assistente: LAURA ARAÚJO
Operador de Luz: BRUNO ARAÚJO
Operador de Som: GABRIEL FOMM
Costureira: ATEILÊ
Cenotécnico: DJAVAN COSTA
Identidade Visual: VINO FRAGOSO
Fotografia: VIDA FODONA
Mídias Sociais: NATHÁLIA ALVES
Assessoria de Imprensa: CARLOS PINHO
Direção de Produção: JULIA BORGES ARAÑA
Coordenação de Produção: VINO FRAGOSO
Produção de apresentações: GATHO PRODUÇÕES – GABRIELLE CRELIER E THOMÁS BALDAN
Coprodução associada: PLANTHA
Gestão de projeto: PHI PROJETOS
Realização: O TEMPO VIROU, CIA DO AGORA, PHI PROJETOS
Apoio: OPEN SOCIETY FOUNDATIONS, ELÉTRICA CÊNICA
Gestão financeira: SITAWI
Serviço:
Temporal
Local: Teatro Poeirinha – Rua São João Batista, 104, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ
Temporada: de 5 de março a 26 de abril
Sessões: quinta a sábado, às 20h, domingo, às 19h
Entrada: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada), ingressos pelo site https://bileto.sympla.com.br/event/116879/d/367983/s/2471980
Classificação etária: 14 anos
Duração: 68 minutos
Fonte: Carlos Pinho – Fato Coletivo
