13 - Arte de Temporal

Foto/Divulgação: Vida Fodona

Primeiro espetáculo criado pela dupla propõe uma reflexão urgente sobre o tempo no mundo contemporâneo

 

Em um mundo marcado pelo imediatismo, pela desinformação, pela crise do clima e das emoções, o que estamos fazendo com o nosso tempo? Essa pergunta atravessa “Temporal”, espetáculo que estreia no Teatro Poeirinha, em Botafogo, de 5 de março a 26 de abril, quinta-feira a sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Dirigida por Marco André Nunes, com dramaturgia de Carolina Lavigne, direção musical de Federico Puppi, preparação de atores de Laura Araújo, direção de movimento de Toni Rodrigues, a peça é o primeiro projeto do encontro artístico de Giovanna Nader e Vino Fragoso.

 

A trama acompanha Hortência (Giovanna Nader), que retorna à cidade onde nasceu em busca de algo que ficou suspenso, e Hélio (Vino Fragoso), que nunca saiu dali. Dono de uma rádio local, ele construiu sua vida sobre a repetição, a rotina e o controle. Entre movimento e permanência, o casal revela modos distintos de existir. Esse embate ultrapassa o campo íntimo e se projeta sobre a cidade, que entra em estado de espera sob a iminência de um temporal. Em meio a notícias, tecnologias, ruídos e memórias, passado, presente e futuro se sobrepõem e os sistemas que sustentavam a ordem se deslocam. Nada permanece intacto: o casal, as horas, a cidade e os vínculos, tudo muda e tudo insiste em permanecer. Eles buscam a todo custo encontrar um equilíbrio em si e no tempo antes que seja tarde demais.

 

– Durante todo o processo de criação fomos intimados pelo tempo a habitar o presente. Pensar no tempo todos os dias, tem feito perceber melhor a vida, e se o público sair do teatro com essa sensação, nossa missão foi cumprida – explica Vino Fragoso.  

 

Em “Temporal”, o público é conduzido a uma experiência retrofuturista de imersão sensorial e afetiva que convida à reflexão sobre a qualidade do tempo. Nessa primeira montagem da Cia do Agora, o azul ganha força ao preencher o cenário assinado por Vino Fragoso, com elementos clássicos e modernos em constante diálogo e potencializados pela iluminação de Renato Machado. 

 

No centro do palco, o grito de alerta é o tiquetaquear de um relógio. O Relógio do Juízo Final, criado em 1947 por cientistas no início da Guerra Fria, tornou-se um símbolo do risco global. A meia-noite representa o colapso da humanidade diante de ameaças que ela própria produz. Em janeiro de 2026, ele foi ajustado para mais perto do que nunca desse limite. Agora marca 85 segundos para a meia-noite, indicando o quão próxima a humanidade está de um cenário de destruição global.

 

– O tempo é uma das maiores preocupações do nosso presente, talvez a maior. Falta tempo para a nossa vida, para a vida no nosso planeta ou para simplesmente viver. A angústia diante do tempo que nos resta desdobra-se em muitas outras. Parece urgente, ao menos, falar sobre isso – reflete Marco André Nunes.

Para a dramaturga Carolina Lavigne, falar sobre o tempo é falar da matéria do próprio teatro.

 

– O teatro só existe no instante em que acontece, no presente absoluto do encontro e esse instante me interessa. Em “Temporal”, o tempo torna-se também a própria temática da peça; colocá-lo em cena me permite fabular sobre ele, criar um presente atravessado por memórias e projeções, onde passado e futuro tensionam o agora. Essa investigação nasce de um desejo e agora me traz uma enorme satisfação – destaca a autora. 

 

O que se vê e o que se ouve são entrelaçados para contar a história de um agora difícil de habitar e falar não só sobre a consciência do tempo, mas do respeito ao tempo. O tempo da natureza, o tempo da vida, o tempo da mulher, o tempo da criança, o tempo das coisas. O tempo mudou e qual é a nossa responsabilidade nisso tudo? 

  

– Através do lúdico, a gente convida a uma reflexão sobre o tempo, talvez nossa maior riqueza em meio aos ritmos cada vez mais acelerados da vida contemporânea – conta Giovanna Nader.


Ficha técnica:

Idealização: CIA DO AGORA _ GIOVANNA NADER E VINO FRAGOSO

Direção: MARCO ANDRÉ NUNES

Texto: CAROLINA LAVIGNE  

Elenco: GIOVANNA NADER E VINO FRAGOSO
Participação Especial: MARIA ESMERALDA FORTES

Direção Musical: FEDERICO PUPPI

Direção de Movimento: TONI RODRIGUES

Cenografia: VINO FRAGOSO

Desenho de Luz: RENATO MACHADO

Figurino: GIOVANNA NADER E VINO FRAGOSO

Preparação de Elenco e Direção Assistente: LAURA ARAÚJO

Operador de Luz: BRUNO ARAÚJO

Operador de Som: GABRIEL FOMM
Costureira: ATEILÊ
Cenotécnico: DJAVAN COSTA

Identidade Visual: VINO FRAGOSO 

Fotografia: VIDA FODONA

Mídias Sociais: NATHÁLIA ALVES

Assessoria de Imprensa: CARLOS PINHO
Direção de Produção: JULIA BORGES ARAÑA

Coordenação de Produção: VINO FRAGOSO

Produção de apresentações: GATHO PRODUÇÕES – GABRIELLE CRELIER E THOMÁS BALDAN
Coprodução associada: PLANTHA

Gestão de projeto: PHI PROJETOS

Realização: O TEMPO VIROU, CIA DO AGORA, PHI PROJETOS

Apoio: OPEN SOCIETY FOUNDATIONS, ELÉTRICA CÊNICA
Gestão financeira: SITAWI

 

Serviço:
Temporal
Local: Teatro Poeirinha – Rua São João Batista, 104, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ

Temporada: de 5 de março a 26 de abril
Sessões: quinta a sábado, às 20h, domingo, às 19h

Entrada: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada), ingressos pelo site https://bileto.sympla.com.br/event/116879/d/367983/s/2471980

Classificação etária: 14 anos

Duração: 68 minutos

Fonte: Carlos Pinho – Fato Coletivo

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