Foto/Divulgação: Rafael Ribeiro / CBF
Por Guilherme Pinheiro
Para rejuvenescer a Seleção, Carlo Ancelotti apoiou os dirigentes da CBF logo nas primeiras reuniões de planejamento
O atual comandante canarinho endossou um plano drástico nos bastidores para reduzir o número de jogadores de outra nacionalidade no Campeonato Brasileiro. Consequentemente, a nova regra cortará o limite atual de nove atletas estrangeiros relacionados por partida para apenas cinco até 2030. Essa mudança, no entanto, começará a valer gradualmente a partir da temporada de 2027, exigindo adaptação das diretorias.
Vender garotos antes mesmo da maioridade virou a rota padrão, mas esse atalho financeirocobra seu preço técnico a longo prazo. Endrick e Estêvão exemplificam perfeitamente essa via expressa rumo aos gigantes da Europa. Por outro lado, deixar o país tão cedo queima etapas vitais de amadurecimento tático no futebol local. Por isso, Ancelotti “alertou” a cúpula sobre o buraco técnico gerado pela saída prematura das nossas promessas.
A queda traumática para a Noruega nas oitavas da Copa do Mundo ainda reverbera nos corredores da entidade máxima do futebol. Faltaram opções no banco de reservas, evidenciando uma lacuna na transição física e mental das categorias de base. Para Ancelotti, o ciclo preparatório para 2030 exige sangue novo e peças prontas de forma urgente.
Dirigentes vasculham as bases buscando majoritariamente pontas velozes e habilidosos. Esses atacantes de lado rendem cifras milionárias quase imediatas, cegando os departamentos de futebol para o restante do campo. Além disso, essa procura comercial asfixia a formação de meio-campistas construtores, os clássicos ritmistas do setor. O Brasil exporta velocistas aos montes todos os anos, mas esquece de fabricar maestros para a faixa central.
A redução da cota de jogadores de fora tenta forçar um retorno às origens do futebol brasileiro. Sem poder importar reforços sul-americanos medianos, os clubes precisarão obrigatoriamente olhar para os próprios quintais. Assim, a expectativa da CBF é que essa limitação impulsione investimentos massivos na estrutura e nos profissionais das categorias de base.
